terça-feira, novembro 15, 2005

O Tempo

O tempo é um conceito que nos escorrega pelas mãos e quanto mais pensamos nele mais o deixamos passar e se torna mais complexo mas vale a pena ver as diversas vertentes.

Para Deus o tempo é sempre agora.

Não há depois nem antes, mais logo ou mais à tardinha... Com ele já foi, é e ainda será.

Quando dizemos às nossas mães que "Já vou despejar o lixo" este é "já"um conceito muito mais lato pois pode corresponder a 10m, tempo que demora a terminar um jogo de Pro Evolution Soccer 5, a 30 minutos caso estejamos a ver um episódio do Gato Fedorento ou até mesmo a um "nunca" se não estivermos para aí virados.

Um outro aspecto é a duração que o tempo pode ter.

Quando estamos à espera de uma coisa que queremos muito o tempo demora a passar que até doi...

Por exemplo agora estou à espera de ir para a Polónia para ir ter com a minha Mila... Hurra!!! Uma hora demora mais tempo a passar que uma viagem a Marte...

Se por outro lado estamos a fazer uma coisa em que estamos especialmente satisfeitos o tempo é como pão com mateiga e sumos em frente a miúdos de 7 anos... voa que é um instante.

Há finalmente o aspecto final do tempo... quando chegar o nosso tempo todos perguntamos se o vivemos da melhor maneira.

Deus, lá de cima deve-se rir connosco... senão reparem, gastamos o nosso tempo e saúde em ganhar dinheiro para depois o gastarmos todo a recuperar o tempo e a saúde que perdemos durante a nossa vida.

terça-feira, novembro 08, 2005

Acredito no Perdão de Deus

Acredito... No perdão/amor de Deus... e que o Inferno está vazio.

Num plano divino o tempo e o espaço são um só momento eterno... como que um segundo fosse toda a eternidade...

a imagem que eu encontro para melhor expressar esta fórmula é dizer que para Deus o tempo não é uma linha horizontal mas uma linha vertical em que tudo o que foi ou será, é!

"Deus disse a Moisés: « EU SOU AQUELE QUE SOU .»" Ex 3, 14


Reconheço que não consigo pôr em palavras aquilo que penso mas vou tentar e por isso peço paciência se cometer alguma gaffe...

Partindo do prosuposto que Deus É, o convite à conversão é simultâneo à Criação, evolução, à Ressurreição e à salvação... em termos práticos é como se Deus nos perdoasse/amasse antes, durante e após a nossa passagem terrena, numa espécie de convite que ecoa na eternidade.

Como a eternidade é muito "grande" seria impossível para nós constantemente recusarmos este convite, visto que Deus é o supremo bem e em última instância estamos todos perdoados e no amor de Deus nessa plenitude dos tempos.

Desculpem, realmente isto é muito difícil de pôr para palavras... e se calhar até é um grande erro teológico mas pronto fica aqui mais um ponto de reflexão

Em comunhão

segunda-feira, outubro 31, 2005

Deus Pai

Há muita gente que tem uma imagem de Deus como um juíz, implacável, que está à espera do mais pequeno erro para nos condenarmos ao fogo eterno.

Muahahahaha (aqui deve-se ouvir um riso maléfico)

Outros há para quem Ele é um Deus ausente que precisa que O estejamos sempre a melgar.

Para outros Deus é uma força e por aí fora.

A minha imagem de Deus é de um pai... que me conhece, que fala comigo, que me ajuda muitas vezes sem eu reconhecer, que ri comigo, que chora com os meus fracassos, que se chateia...

Enfim Ele é Deus.

Se calhar estou a tirar-lhe todo o poder... mas Ele ama-me na mesma

sexta-feira, outubro 21, 2005

Vou para a Polónia

Estou de partida... vou para a Polónia!

Para quem não sabe a Polónia é onde vivem as últimas boas mulheres que podemos chamar de normal.

Mas o que leva uma pessoa largar aqui o burgo e todas as coisas boas aqui existentes, (o caso Casa Pia, o défice orçamental, a Fátima Felgueiras, os lábios da Manuela Moura Guedes e os botoxes descaídos do Castelo Branco) e partir para um país em que tudo se pronuncia como nos tivessemos queimado na boca?

Aviso já que a grande razão é que eu encontrei a melhor exemplar da extraordinária mulher polaca mas há razões mais profundas para ir para lá e ela não vir para as terras que viram a D. Teresa sofrer de violência doméstica.

Eu vou para a Polónia porque vou casar com ela... depois vou viver, trabalhar e de vez em quando fazer filhos. Isto na Polónia não é nada estranho porque é considerado normal casar, viver, trabalhar e fazer filhos.

Em Portugal, seguindo uma tendência muito pouco sul-europaísta, as pessoas já não casam, juntam-se... é um bocadinho como as aves migratórias. Juntam-se para mais tarde dizerem... realmente maior parte das vezes nem devem dizer nada. O que convenhamos é muito prático para o nosso povo que gosta essencialmente de manifestações, linxamentos e parar para ver o acidente. Realmente casar é uma parvoíce, gasta-se dinheiro e depois é uma trabalheira o divórcio porque para a vida inteira só o Glorioso... mas enfim.

Depois vou viver o que é um outro conceito muito esbatido no Portugal de hoje. O português do século XXI não vive antes reclama que é uma mutação evolucionária da espécie humana. Isto é, em vez de ir apanhar uma maçã ou ler um livro, o português moderno reclama com o governo não ter maçãs disponíveis para toda a população e que não há incentivos à leitura...

Há ainda um outro aspecto, o trabalhar... realmente aqui sou bem português e bem que gostaria de ter um emprego em vez de um trabalho mas ainda não tive essa sorte. Em Portugal toda a gente quer empregos por isso quem trabalha faz como vive, isto é, reclama. O patrão é um arrogante, o salário miserável e as férias curtas e à mínima oportunidade ou ameaça aos direitos estabelecidos... pumba sai uma greve à sexta feira para a malta ir de fim de semana prolongado.

Por fim vou ter filhos... não sei quantos mas gostava pelo menos 2 o que é também uma raridade em Portugal. Hoje em dia filhos é sinónimo de responsabilidade que não se quer, gastos supérfulos e noites mal-dormidas... enfim os filhos são uns chatos. Ainda bem que temos ainda os emigrantes de leste e africanos que vão substituindo as gerações porque senão ficávamos com Alentejo nacional... vazio.

Vou ter saudades cá do burgo porque como os polacos, dizemos mal mas choramos baba e ranho quando nos vamos embora.

quinta-feira, outubro 20, 2005

A Esperança mora ao lado

Um dia destes lembrei-me de escrever um blog... realmente é algo de interessante porque eu tenho antes de tudo uma tendência acentuada para ser, em bom português, um grande calão.

Às vezes saiem-me umas ideias engraçadas, que até podem ser consideradas originais mas sofro desse mal generalizado e bem diagnosticado na sociedade ocidental... o Sindroma "Já está em filme?".

Este sindroma (ou sindrome, ainda não descobri) afecta cada mais pessoas e tem origem nos alunos do secundário que quando lhe pedem para ler algum livro perguntam sempre "Já está em filme?" e revela toda a amplitude da nossa geral capacidade de nos desleixarmos, encostarmos, culpablizarmos a sociedade e esperar sempre pelo dia de amanhã.

Por isso decidi começar a escrever este blog e dar-lhe este nome... O Lugar da Esperança porque realmente ainda há esperança que o meu cérebro não se transforme na cara do Cristiano Ronaldo e que acabe por ser expremido como uma das 1057 borbulhas que povoam a cara do astro futubolístico.

Na realidade a esperança mora ao lado porque a minha primeira tentativa de criar um blog resumiu-se a 3 posts num espaço de um mês... muito pouco para quem consegue imaginar o mundo vestido em roupa interior e meias pretas...

Por isso não se admirem de encontrar os próximos posts com datas do mês passado... realmente tenho a sensação que eu sou um bocadinho uma mescla de jovem promessa nunca concretizada e jogador em final de carreira em busca de um lugar como dirigente ou uma presidência de câmara.

No fundo só quero ter um bocadinho de espaço para escrever...

quinta-feira, setembro 22, 2005

A corrida que vale a pena

Há alguns anos atrás, nas Para-olimpíadas de Seattle, nove atletas, todos mentalmente ou fisicamente debilitados estavam prontos na linha de partida dos 100 metros.

Ao disparar da pistola, iniciaram a corrida, não todos correndo, mas todos com vontade de chegar e vencer.

Enquanto corriam, um dos concorrentes caiu no asfalto, deu umas cambalhotas e começou a chorar.Os outros ouviram-no chorar.

Abrandaram e olharam para trás. Pararam e voltaram atrás...

Todos.

Uma menina com a síndroma de Down sentou-se perto dele e começou a beijá-lo e a perguntar-lhe:- Agora estás melhor?

Então abraçaram-se todos e os nove caminharam em direcção à meta.

No estádio todos se levantaram e, aplaudiram durante vários minutos.

As pessoas que estavam presentes continuam a contar esta história.

Porquê?Porque dentro de nós sabemos que:

A coisa mais importante na vida vai além de vencer por nós mesmos.A coisa mais importante nesta vida é ajudar os outros a vencer, ainda que obrigue a abrandar e mudar a nossa corrida.

segunda-feira, agosto 22, 2005

Morrer por Amor

“Sim, sem amor, o que há-de bom em existir? Para quê continuar a viver? Com que fim? É aqui que encontramos o sentido da nossa vida: ser amados para sempre, até à eternidade, para que, à nossa volta, continuemos até morrer de tanto amar. Sem o amor, que haverá de bom em existir? Sim, feliz de quem morre por amor.”

Irmão Roger na abertura do Concílio dos Jovens em Taizé em 1974

sexta-feira, agosto 19, 2005

Adeus Irmão

Quando fui a primeira vez a Taizé, pensei que não me fosse adaptar àquele sítio que nos vídeos parecia saído dum campo de refugiados numa qualquer parte do mundo subdesenvolvida.

Lembro-me como foi entrar na Igreja da Reconciliação e o meu coração parar para recomeçar a bater tão forte como tivesse chegado a casa… a casa que ele construiu para o Pai.

A primeira vez que estive com ele foram apenas alguns segundos quando me dirigi para receber a sua bênção e foi a única vez que senti as suas mãos na minha cabeça e o Espírito Santo descer como uma torrente de lágrimas.

Várias vezes fui à colina mas sempre fiquei longe dele, deixando-me embrenhar na sua obra mas deixando-o com os outros, porque sempre me contentei em apenas saborear e viver o que ele fazia pela inspiração do Espírito Santo.

Anos depois recebi a graça de viver na sua aldeia durante algum tempo e tive a sorte de partilhar um bocadinho mais da sua vida.

Quando cheguei decido a ficar um mês que se tornou em algo muito mais longo, nessa mesma noite ele teve o último encontro tradicional dos sábados à noite com os peregrinos… a doença mas principalmente o cansaço da idade já não lhe permitiam noitadas.

Durante o tempo que trabalhei na sua “vinha”, vi-o ficar numa cadeira de rodas, voltar a andar, de novo numa cadeira de rodas e de novo a andar… ele era abastecido de Espírito Santo e o melhor é que contagiava os outros com esse combustível divino.

Às vezes ia almoçar a sua casa… já tentaram olhar o sol? Os seus olhos claros eram como o sol que nos trespassava alma com bondade e em busca do melhor que há em todos os nós, obrigando-me sempre a baixar os olhos em consentimento.

Não posso dizer que tive discussões teológicas profundas, a idade e a fala já não lhe permitiam ter grandes dissertações, mas tive algumas das lições mais profundas, rezar em silêncio sentido as suas mãos nas minhas, falar que a trovoada de ontem tinha sido das fortes ou simplesmente acompanhá-lo até ao corredor do seu quarto enquanto falávamos de como estavam bonitas as árvores.

Para mim não foi um fundador ou um gigante do ecumenismo que morreu, foi um avô que sempre conheci fraquinho e de quem soube por outros e por sua voz histórias fantásticas reais mas que parecem saídas dos livros de histórias.Mesmo com esta morte violenta tenho a certeza que o último gesto dele deve ter sido tentar abençoar aquela que o matou… era mais forte do que ele querer partilhar o amor de Deus com todos.

Apesar da tristeza da partida, não consigo evitar sorrir ao imaginá-lo com o Pai depois de uma vida de entrega e de amor a todos sem excepção.

Abençoa-nos agora querido irmão, com as tuas mãos repletas da bondade do Cristo Ressuscitado, intercede por nós junto do Pai ao seu ouvido com a tua voz suave e meiga e pede ao Espírito Santo que nos conceda a graça de sermos inspirados pela tua vida de amor e comunhão.

quinta-feira, agosto 18, 2005

Do fundo da Igreja

Sempre tive a sensação que os lugares mais confortáveis da Igreja são ou no topo ou no fundo...

Como não sou padre fico-me pelo fundo, num canto, sentado no chão ouvindo as fórmulas e as palavras e acima de tudo tentanto rezar.

Do fundo da Igreja sinto-me anónimo mas ao mesmo tempo em comunidade, criticando mas ou mesmo tempo batendo no peito como o publicano e dizendo baixinho "Senhor, tem misericórdia de mim".

Normalmente é pelo fundo da Igreja que entram as pessoas, os cortejos para as festas litúrgicas mas também onde há mais tentação... de me distrair ou simplesmente de ser o primeiro a sair.

É daqui, entrando num estado de comunhão e embalado por uma ou outra homilia mais sonolenta, que divago pelo que eu gostaria que fosse a Igreja... não a MINHA Igreja mas a de todos nós.

Pelo fundo da Igreja sairam pessoas que nunca mais voltaram mas é também onde o Pai nos espera como na parábola do filho pródigo e nos recebe de braços abertos para a festa.

É bom estar e pensar do fundo da Igreja mas quando for preciso e nos pedirem não me importo de ir mais para o meio... para já fico cá atrás, a olhar, a pensar, a rezar do fundo da Igreja.