quarta-feira, novembro 08, 2006

Viva o Ricardo Araujo Pereira

Antes demais há que fazer um esclarecimento prévio. Uma amiga enviou-me um email com este texto.

Não me contive e tive que responder. Para se perceber este post há ler esse texto primeiro.

Abaixo é a resposta.

Que há muito idiota a escrever em jornais todos nós sabemos, agora levar por sério um texto de humor acho que ainda é mais idiota.

Passo a fazer algumas correcções a este senhor que tão desmesuradamente se indigna com um texto de humor e que claramente não é, e não quer ser um artigo de jornalismo.

A comparação com a Adolf Hitler e com demais regimes de facistas, embora fora de contexto no que toca à política externa e expansionista e demais ideologias sionistas e afins, não deixa de ter alguma lógica, embora o regime de Salazar seja considera quasi-fascista pela História da Ciencia Politica. Ambos eram regimes ditaturiais, de extrema direita, não democráticos, repressivos no direito de expressão em todas as suas vertentes, clientelista e de apostulado do compadrio, com tendencias megalómanas e de autismo ideológico. Para não falar das polícias políticas, do estado miserável em que vivia eplo menos 80% da população portuguesa e da política de neutral durante a Guerra Mundial mas de claro colaboracionismo na antecâmara da mesma.

Depois a tal da eleição democratica.... Por amor de Deus até na wikipedia se pode obter informção que o processo que conduziu ao poder foi tudo menos democratico. Se democracia é chantagem, assassino, propaganda e falsificação de resultados, então as eleições nos países subdesenvolvidos da Africa Subsariana, nos países do antigo bloco comunista também foram democráticos. Não brinquemos com as palavras nem com a verdade. A Alemanha vivia uma conjuntura socio-económico gravissima de um pós guerra, com condições pesadissimas de compensações segundo os acordos de paz assinados. Que conceito democracia tem este senhor que nem consegue diferenciar um texto humorístico de uma peça de jornaloismo sério?

Que idiotice é esta ”os esforços diplomáticos que foram feitos para evitar a entrada de Portugal na Guerra? Sabe quem gizou diariamente a estratégia? Sabe os riscos que corremos? As pressões que sofremos? Estimará quantos mortos morreriam se tivéssemos entrado briosamente no conflito?” Um governo de froxos e vendidos e colaboracionistas que se vendiam a quem pagasse mais. Na lista de clientes estavam não só os Etados Unidos e o Reino Unido mas também a Alemanha e a Espanha de Franco. A título de curiosidade, que tipo de homem seria Salazar que decreta luto oficial de três dias pela morte de Hitler aquando da sua morte, em 1945?

Depois, mais uma pergunta a balancear entre o relativismo ideológico e a demência. Sabe o estado em que Salazar herdou o país após a espantosa 1ª República, que é tanto admirada pela família Soares? Então um mal compensa o outro? Então vai se justificar o autoritarismo antidemocrático e repressivo de um regime por um outro não ter tido sucesso e ser igualmente repressivo e com agravante de ser anticlerical? Assim a única conclusão que podemos alcançar é que os políticos que temos no nosso país são fruto da politica autoritária e centralizada salazarista, em que os políticos viam o lugar na assembleia como um tacho porque no fundo sabia que não ia lá decidir nada, que sabiam que o lugar de poder era para benefício próprio, que tinham consciencia que quisessem mudar alguma coisa eram ostracizados, presos e deportados.

Depois o paradoxo em relação a U.E. que não existiu com esse nome até 1992 e que Portugal nunca fez parte em nenhum dos sucessivos alargamentos até 1986. Enquanto Robert Schuman, considerado o Pai da Europa e que actualmente tem um processo de beatificação em curso, era um homem aberto, que preconizava a abolição de diferenças entre os diversos paises Europeus, em especial a França e a Alemanha, tinhamos um Dr. Oliveira Salazar que se batia com um orgulhosamente sós que tem tanto de romântico como de autista. Mais... com 41 anos no poder, volto a repetir, com 4 décadas completas de poder e obra que foi feita foi uma ponte, uma barragem e um aeroporto, peço desculpa mas é muito mas mesmo muito pouco. Ainda para mais tendo em conta em que os únicos anos (convem salientar que foi durante a Guerra Mundial, em que a produção e a concorrencia internacional praticamente estagnou) em que o balanço entre as exportações e importações pendeu para o positivo, não é muito abonatório. Mas não sejamos abotusos porque há que reconhecer que existe mais obra feita pelo doutor Salazar. 40 anos de atraso económico, social e político em relação aos outros países da Europa; o impossível de sair da cauda dos 15 (que hoje dia já devemos estar no lugar 18 na Europa dos 25) apesar de sermos considerados alunos brilhantes da aplicação de fundos de coesão (podemos assim ver a miséria em que estava o país) e um país com uma taxa de analfabetismo funcional a rondar os 80% da população e podiamos continuar.

A descolinazação foi mal feita, terrivelmente mal feita, mas quem é que nunca pensou em fazê-lo durante 40 decadas de poder absoluto e quando contestado morto ou preso? Realmente confirma-se que as más decisões são aquelas feitas quando alguém não fez o que devia ter feito antes.

A censura... LOL é a úncia que se pode dizer. Se houvesse censura este senhor não tinha acesso à maioria dos conteúdos informativos que pode, graças à liberdade, escolher e seleccionar por si próprio. Se houvesse censura o blogue deste senhor não existiria. Se houvesse censura este senhor não tinha direito de resposta não eu poderia estar escrever isto.

O Dr Salazar foi integro e nunca recebeu nada, então que me expliquem o desapego ao poder do Dr. Salazar e os dois anos em que se lidava diariamente fizendo crer a Salazar ou ele fazia-se acreditar que ainda continuava a governar o país?

Digo eu a este senhor “Não escreva sobre o que não sabe. E ainda tem uma surpresa.”

O país não está bem mas está bem melhor do que esteve durante o papado sem fumo branco do Dr. Oliveira Salazar.

Pois é, fica mal indignação perante o humor mas fica ainda pior se esta indignação for feita entre mentiras e meias verdades.