quinta-feira, dezembro 14, 2006

Viver cantando

Desde muito pequeno que gostei de cantar.



À primeira vista, esta afirmação podia ter sido retirada de uma entrevista com a Micaela na Nova Gente ou da biografia do Luciano Pavaroti. Na realidade esta afirmação é muito pessoal

Apesar de ter feito parte de uma Tuna (a saudosa Inoportuna de Letras), ter até feito algumas letras para umas musiquinhas nos escuteiros ou nas Equipas de Jovem de Nossa Senhora sempre me considerei um cantor bastante mediano. Isto, sem ter consciência, deve-se muito por culpa das vozes da Pop, que com as suas vozes de Barítonos ou Tenores me deixavam a apanhar notas em falsete ou a esganiçar que nem um fraganote.

Quando em casa tentava arrancar alguns arranhados acordes da minha viola andava sempre aos saltos com os tons por causa dos malditos agudos que fugiam de mim como um gato de àgua.

Mais tarde em Taizé, descobri e confirmei algo que me continuamente me vai na alma e que se eternizou numa expressão muito anterior há minha curta existência:

Quem canta reza duas vezes.

Mas acabava sempre por chegar a infeliz conclusão que cantar com a voz principal fazia inevitavelmente que chegasse a meio de uma semana totalmente afónico. Foi então que descobri o fantástico mundo de cantar a vozes e descobri o meu cantinho... os baixos!!!

É verdade! Agora consigo cantar e até há pessoas que dizem que a minha voz é boa. Agora já nem arrico aquelas coisinhas fraquinhas como U2 ou The Beattles mas descobri gosto de cantar em coros a 4, 6 ou mais vozes. Cantar com a alma, sentir que Deus me arrebata deixando-me num estado de quase extase.

Quem ler isto vai dizer ou pensar que fiquei tóto mas é a mais pura das verdades. E o mais incrível, é que estou num coro... não é profissional mas cantamos umas coisinhas engraçadas mas tudo em Polaco. Por isso mais de 75% das coisas que canto não percebo mas sinto a melodia que muitas vezes vale por mil palavras.

Às vezes digo à minha mulher que quando morrer quero cantar num coro de anjos. Entretanto vou cantando no Pokolenia JPII que quer dizer Geração João Paulo II. Aqui podem ver algumas fotos.

Como isto não é o site do Wally, quem me encontrar não ganha prémio :P

Em comunhão

terça-feira, dezembro 12, 2006

O Natal está quase a chegar

O Advento já vai a meio e quase não o senti passar.

Como católico tento viver cada momento do calendário litúrgico com alguma veracidade e empenhamento que não seja apenas o dar-me conta que estola do padre mudou de cor ou que não se pode fazer isto ou aquilo.

Mas como muitos, rapidamente me dou conta da minha fragilidade e que o corre-corre do dia a dia não se compadece nem têm devoções cristãs. Por mais que quisesse fazer alguma coisa diferente durante o Advento, embato contra a frieza e aridez da realidade que não consigo me disciplinar ou organizar o meu tempo com o devido afinco.

Às vezes tenho quase a sensação que não sou eu que vivo mas que o ritmo a que vida é vivida é nos imposto, mesmo tendo actividades de lazer acabo sempre por ter que andar atrás do relógio e a lamentar-me interiormente que devia ter feito mais e como gostava de ter feito diferente.

E pronto, o Natal está quase a chegar e à parte de umas leituras fortuitas do evangelho do dia quase em tom de descargo de consciência, não tenho consigo viver este Advento como um antecipar da chegada de Cristo.

Mas o que realmente me chateia, é que tenho sempre esta danada sensação que não vivo a minha fé como realmente gostaria.

Só me resta ter esperança que um dia hei-de conseguir fazer melhor. Como dizia S. Paulo

"É que não é o bem que eu quero que faço, mas o mal que eu não quero, isso é que pratico."

Em comunhão