sexta-feira, setembro 07, 2007

A Alegria de dar

Não basta dar aos homens, é preciso dar-lhes a possibilidade de dar. Porque o homem não é verdadeiramente homem senão quando ele próoprio pode dar e conhecer a alegria de dar.


Francois Varillon S.J.
A mensagem de Jesus

segunda-feira, setembro 03, 2007

Pensamento do dia...

O homem gasta todo o seu tempo, a sua saúde e juventude para ganhar dinheiro. Mais tarde vai gastar todo o dinheiro que ganhou para recuperar o tempo, a saúde e juventude perdidas na ânsia de ganhar dinheiro.

Realmente somos de uma estranheza Kafkiana.

sábado, setembro 01, 2007

O Lugar da Esperança... uma continuação diferente.

Todo o mês de Agosto tenho andado a pensar que fazer com um blogue que tem um número diminuto de visitantes mas que me dá prazer em escrever proporcionalmente que me cria um sentido de obrigação em escrever algo, pelo menos uma vez por semana.

A verdade é que há muitos temas aqui misturados e se no início pensei em escrever este blog como forma de simplesmente escrever, tenho consciência que há uma necessidade de compartimentar assuntos.

Por isso, fiz-me de convidado do Teologia e tentarei dar uma participação mais "teológica" naquele blog e deixar o Lugar da Esperança como um espaço mais descontraído e de partilha pessoal com amigos e conhecidos.

Não se admirem que algumas mensagens comecem lentamente a desaparecer do blog, é que alguns textos vou "transmigrar" para o Teologia.

Espero continuar a ver-vos por lá e por aqui.

Um abraço

Em comunhão

quinta-feira, agosto 09, 2007

Uma humilde pobreza


Felizes os pobres de espírito porque deles é o Reino dos Céus.


Que pobreza é esta de que fala Jesus? Quem são estes pobres? Para responder a estas duas questões, temos que partir de um pressuposto e lembrar-nos dele de cada vez que chegamos a uma qualquer conclusão extraordinariamente absurda.

Deus é Amor!

Um Amor que é tal maneira incondicional, que nos permite ser livres até ao ponto de O negarmos e esquecermos.

Mas se assim é, como pode Deus querer que existam pobres no mundo?

A palavra pobreza em português remete-nos para uma situação financeira incomportavelmente fraca, numa existência miserável quase desumana. A Pobreza automaticamente associamos com as favelas no Brasil ou os barros de lata em Lisboa; lembra-nos os acampamentos de etnia cigana, cheios de crianças sujas a brincarem no meio do lixo; vem-nos à memória os mendigos, os sem-abrigo, os imigrantes ilegais e um sem número de situações difíceis de conviver e que tantas vezes fazemos por ignorar.


No entanto e muito embora Cristo nos chame a ser portadores da Boa-Nova a e construtores do Novo-Mundo em especial para esses mais pequeninos, a pobreza de que fala Jesus nas Bem Aventuranças não está directamente ligada a uma questão de monetária. Existem na história do mundo e também no santorial exemplos de pessoas que embora sendo ricas se abandonaram à bondade e à pobreza que dá acesso ao Reino de Deus.

Esta pobreza feliz não é a miséria daqueles que escolhem serem pobres por preguiça ou por vício. Embora muitas vezes um alcoólico ou um toxicodependente possam viver em condições miseráveis e de extrema pobreza, obviamente que não são estes que Jesus considera os felizes. Quantas vezes as vidas de muitas famílias ciganas não poderiam ser melhores, se optassem por mudar algumas das suas tradições?

A pobreza que Cristo considera bem aventurada, tão pouco é aquela auto-infligida negligentemente. Alguém que foi rico e que perdeu toda a sua fortuna no jogo ou em negócios ilícitos tornando-se pobre, não é de certeza um pobre de Cristo. Não só porque desperdiçou os talentos que Deus lhe deu, mas sobretudo porque a sua pobreza é artificial quase forçada.

A pobreza de que Cristo fala, pode-se traduzir por humildade. A humildade da pobreza.

Já consigo ouvir os eternos revolucionários a gritarem palavras de ordem contra a humildade. Mas atenção meus senhores, humildade não significa nem de humilhação ou falta auto-estima nem tão pouco incapacidade de raciocínio crítico e/ou imobilização.

O humilde de Deus é um pobre não só por analogia mas também por comparação directa.

Quem é pobre sabe que tem que lutar para sobreviver, mas aprende também, que muitas vezes tem de depender e confiar no outro e que frequentemente aí reside a sua sobrevivência. O humilde de Deus sabe reconhecer o seu papel de co-criador do mundo mas aprendeu a pôr nas mãos de Deus a sua vida.

O verdadeiro pobre muitas vezes tem pouco, mas o pouco que tem, sabe partilhar com aquele que ainda tem menos. O humilde de Deus não arreiga para si os talentos que Deus lhe deu, mas põe-nos ao serviço aceitando as suas limitações.

O pobre como não tem nada, pouco tem a perder. O Humilde de Deus admitiu que tudo o que possui é por empréstimo e que é um eterno peregrino sem tecto e sem duas capas.

É agora que chegamos ao momento que precisamos recorrer ao pressuposto Deus é Amor.

Diz Paulo:
Ainda que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita.
Toda esta humilde pobreza só tem sentido se for vivida por Amor, ou seja para Deus e para os outros. Posso ser o tipo mais activo e caridoso da paróquia ou do grupo de jovens mas se o faço por minha auto-realização, então sou mais um miserável. Um miserável que ajuda é verdade mas:

sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine.

vazio e sem chama que me impede de operar a verdadeira mudança no mundo e na essência mais profunda.

É lícito e no espírito do Evangelho que aquele que trabalha, receba a sua recompensa monetária justa. Jesus por várias nos dá parábolas em que fala de pessoas bem abastadas, como por exemplo o Pai da parábola do Filho Pródigo ou o Bom Samaritano e estes não deixam de ser exemplos a seguir.

A pobreza feliz e bem aventurada é a do coração. Aquela que nos faz exclamar como o Centurião:

Senhor, eu não sou digno de que entres debaixo do meu tecto; mas diz uma só palavra e o meu servo será curado.

Em comunhão

quarta-feira, julho 18, 2007

Novas Paróquias

Enquanto nos entretemos com missas em Latim, os problemas que comem por dentro e fazem esmorecer as comunidades cristãs persistem e agravam-se. Não menos vezes dou-me conta que um sem número de pessoas se esquece que não basta apenas rezar, há que constituir comunidades que rezem juntos. Um crente só esmorece, e a sua fé seca pela aridez que o envolve. Uma comunidade forte, orante e activa, faz sentir a sua presença na sociedade civil e é um pólo missionário apresentado ao serviço e na acção, sustentado pela Eucaristia vivida e participada.

Por isso mesmo, um dos assuntos que deveria ter uma abordagem mais urgente é o conceito de paróquia enquanto unidade comunitária mínima dos crentes. Este
artigo da Agência Ecclesia dá conta disso mesmo.

A paróquia tradicional é um modelo antigo de organização administrativa baseado no sistema romano de administração civil e que durante muitos e largos séculos funcionou. Historicamente a paróquia, bem como a diocese são a base da nossa organização administrativa civil que derão lugar à freguesia e ao concelho e que continuam a estar válidos. No entanto em questões de organização comunitária de crentes do século XXI a paróquia é chão que já deu uvas e que urge substituir por novas formas comunitárias.

O modelo paroquial está a definhar, não por ser antigo mas porque o ritmo de vida urbano, solitário e móvel não permite tempo a que se criem bases sólidas que possibilitem o florescer de comunidades de vida cristã. Para além disso há acrescentar a falta de padres o que irá obrigar a uma mais que previsível diminuição do número de paróquias, a um distanciamento entre o pastor e as ovelhas e uma diminuição do número de eucaristias.

Assim há que entender urgentemente que a comunidade de crentes não se pode resumir ao conceito tradicional de paróquia com um ou mais padres que se dedicam a 100% o seu tempo às coisas do mundo religioso. A solução, e o Concílio Vaticano II é profético neste aspecto, passa por um maior papel dos leigos sendo que o papel dos padres terá que voltar ao papel ocupado durante as primeiras comunidades cristãs. Os padres e consagrados tendo uma posição itinerante de vigilância, de apoio espiritual, de condução espiritual muito ao estilo de Paulo, Pedro e os primeiros apóstolos, e os leigos organizando as suas celebrações da palavra, catequeses, baptizados, casamentos e funerais, grupos de vista social e pastoral e administração da vida comunitária.

Hoje em dia, creio que demasiadas vezes, as paróquias tornaram-se lugares de administração em que o lugar mais visitado é o cartório. Em vez de ser um espaço de partilha, fervilhante de vida e actividades pastorais e sociais, é o lugar da desobriga dominical, um lugar das obrigatórias festas para o povo ver e estigmatizado pelas únicas frequências serem durante os funerais. As comunidades tem que se tornar mais autónomas e espontâneas no sentido de actuação e celebração da fé em Cristo mas com cristãos melhor formados e conhecedores da sua fé para que permaneçam em unidade com a Igreja.

Tenho o privilégio de conhecer algumas paróquias que são realmente comunidades orantes, pedras vivas da Igreja Infelizmente a realidade mais comum é aquelas que muitos conhecem que leva os jovens a abandonarem porque acham a paróquia uma seca e os mais velhos se ressequirem por dentro numa solidão cada vez profunda.

As paróquias do futuro serão muito maiores e, independentemente do número de crentes, organizadas e dividas por grupos de afinidades/talentos. As celebrações da palavra paroquias terão que ser mais frequentas pressionadas pelas necessidades de doses diárias oração comunitária. As Eucaristias embora mais raras serão apreciadas como momentos especiais de reunião e de unidade comunitário. Os padres poderão ser menos ou não mas terão que deixar de ser administradores de bens para serem pescadores de homens e pastores de almas.

Para as novas paróquias... “Só isto é necessário: comportai-vos em comunidade de um modo digno do Evangelho de Cristo, para que - quer eu vá ter convosco, quer esteja ausente - ouça dizer isto de vós: que permaneceis firmes num só espírito, lutando juntos, numa só alma, pela fé no Evangelho”
1 Fil, 1:27-28

Em comunhão

quarta-feira, julho 11, 2007

Ainda o Motu Próprio

Muito se tem falado e comentado sobre este Motu Próprio sobre a possibilidade de utilizar o missal aprovado antes do Concílio Vaticano II.

Desde o princípio tenho mostrado as minhas reticências em relação este rito, não por me opor de forma especial a esta formação de celebração litúrgica mas principalmente pelas intenções daqueles que promovem e fizeram pressão para que este Motu Próprio viesse à luz do dia.

Embora num esforço de abertura e esperança se faça por olhar para o lado e dizer que há uma intenção de incluir de quem está de fora, não é menos verdade que justamente e quase em simultâneo com o Motu Próprio surgem uma série de documentos a revelar uma posição de força e de centralização no universo decisório da Igreja.

Mas voltando ainda ao tema do Motu Próprio, o regogizo e a felicidade estão patentes nas diversas mensagens que as ruas mais conservadores da Cidade de Deus deixaram espalhadas na internet. Por outro lado, os bairros mais populares e liberais cerram fileiras negando à partida e incondicionalmente celebrar no rito Tridentino imbuídos num espírito bairrista e quase sindicalista. Muitas casas nesta cidade de Deus remeteram-se ao silêncio. Uns por medo, outros por estarem ainda em período de reflexão outros mais, uma maioria silenciosa, calados porque simplesmente não ouviram e nem lhes interessa muito este assunto.

Assim há concerteza vários pontos de reflexão que é preciso pôr em cima da mesa e deixar o Espírito Santo actuar em nós para quer nós sejamos realmente mais uma Igreja a caminho de Deus e não a caminho do Homem.

A primeira conclusão é que há que admitir que há abusos litúrgicos que são precisos corrigir e evitar, mas há que definir também o que é considerado abuso. Provavelmente por ser português e ter sempre vivido num contexto que considero ser de razoável dimensão espiritual, não conheço in loco os abusos que tanto escandalizam os tradicionais fiéis e o Papa. As missa de Palhaços que se vê em meia dúzia de vídeos, missas espectáculo ou com música agressiva ou de gosto duvidoso podem ser consideradas abusos litúrgicos graves mas não acredito que sejam assim tão difundidas como querem fazer parecer.

Então de que outros abusos se fala?

Recusa de dar a comunhão na boca ou a quem se ajoelha. Será isto um abuso ou simplesmente uma convicção do pároco em questão? É que a mim já me recusaram várias vezes dar comunhão na mão e não sei se considero isso um abuso litúrgico. É com certeza uma atentado à liberdade de expressão da fé, mas quer uma quer outra forma de recusa. Às vezes também sinto vontade de receber a comunhão de joelhos...

Depois há também quem diga que o padre não estava bem paramentado, ou que a a missa em vernáculo é pouco sagrada e que o Canto Gregoriano tem que ser uma constante.

Na realidade ninguém viu da parte do Papa uma lista ou um enumerar de erros ou abusos necessários de corrigir. Aliás quer no documento em si do Motu Próprio, quer na carta que se fez acompanhar quando destinada aos irmãos bispos, não há uma única referência a abusos. O que o Papa diz é que "em muitos lugares, se celebrava não se atendo de maneira fiel às prescrições do novo Missal, antes consideravam-se como que autorizados ou até obrigados à criatividade, o que levou frequentemente a deformações da Liturgia no limite do suportável".

Então a culpa não está no missal mas nos celebrantes o que é um aspecto totalmente diferente do rito. É como se de alguma forma quererem acusar a existência Lei pelos abusos que são praticados. O que é obviamente uma conclusão ridícula, visto estas deformações da Liturgia são arbitrárias e à revelia do Missal do Novus Ordu.

Há também um reforçar da ideia de que o Missal de Paulo VI é a forma ordinária e que ambos os missas
são duas versões do Missal Romano e não podem ser encarados como se fossem «dois ritos». Trata-se nas palavras do Papa "antes, de um duplo uso do único e mesmo Rito".

Mas existe aqui um percalço que, no meu entender é propositado. O Papa admite que o "uso Missal antigo pressupõe um certo grau de formação litúrgica e o conhecimento da língua latina; e quer uma quer outro não é muito frequente encontrá-los" e que por conseguinte " já se vê claramente que o novo Missal permanecerá, certamente, a Forma ordinária do Rito Romano, não só porque o diz a normativa jurídica, mas também por causa da situação real em que se encontram as comunidades de fiéis."

Por outras palavras, o Papa tem um alvo concreto, Fraternidade São Pio X e todos aqueles que utilizam como frente de combate a Liturgia para acabar com o Concílio Vaticano II. É o próprio a revelar que a sua intenção positiva é a busca de unidade e reconciliação de forma a que "esta sensação do passado impõe-nos hoje uma obrigação: realizar todos os esforços para que todos aqueles que nutrem verdadeiramente o desejo da unidade tenham possibilidades de permanecer nesta unidade ou de encontrá-la de novo".

De acordo com esta intenção saltam 3 perguntas:

1º Serão assim tantos "os que seguem aderindo com muito amor e afecto às anteriores formas litúrgicas" ou terão alguma uma importância maior que mereçam uma atenção especial?

2º Tendo em conta que o Papa atendeu "as insistentes petições destes fiéis", para quando a mesma tomada de posição em relação a outros de assuntos que há tanto tempo têm andado sobre a mesa?

3º Por último, será que o alvo desta operação de charme, a Fraternidade São Pio X e outros tradicionalistas estão dispostos a aceitar:

-"Estas duas expressões da “Lex orandi” da Igreja não levarão de forma alguma a uma divisão da “Lex credendi” (“Lei da fé”) da Igreja; são, de fato, dois usos do único rito romano."
- que "para viver a plena comunhão, também os sacerdotes das Comunidades aderentes ao uso antigo não podem, em linha de princípio, excluir a celebração segundo os novos livros."
- o Concílio Vaticano II

Para já vou esperar, rezar e continuar minha vida como católico que tenho sido até aqui.

No céu da Cidade de Deus nuvens pesadas e escuras, lembram a possibilidade de tempestade. Caíram alguns pingos grossos mas mesmo que se abata forte, quem anda à chuva... molha-se.

Em comunhão

quinta-feira, julho 05, 2007

Liberalismo e Cristianismo

Já não me chegava o Vaticano para me vir com regulamentações, cânones, Motus próprios e catecismos agora até os ateístas tem opinião sobre o que deveria um ser católico.

Nas minhas aventuras por blogs estrangeiros, dei de caras com um texto no Diário Ateísta (DA) que achei surpreendente. O texto, O Catolicismo é contrário ao Liberalismo, quer demonstrar que um católico coerente não pode ser liberal e para tal faz recurso a uma série de documentos papais.

Não será caso para dizer que o ateísta está a ser mais papista que o papa? Mas afinal este artigo no DA é um desejo ou uma realidade?

É uma certeza, que ao contrário o que possa pensar, evolução na continuidade implica saber reconhecer os desvios e os erros e tentar por fazer melhor.

Pessoalmente e seguindo o exemplo de Dom Pedro Arrupe, antigo geral dos Jesuítas, dou graças a Deus pelo Marquês do Pombal, pelo liberalismo, pela revolução francesa, por Darwin e sou com um orgulho envergonhado católico.

Aliás acho piada que este texto utilize como referência para recolher os textos do Vaticano, site do tipo mais reaccionário que se apelida de católico, o Professor Pirelli (Orlando Fidelli no original).

Se é isto de católico que utilizado como referência para as críticas de um ateu, então compreendo muito bem porque se é ateu. Ser ateu por oposição este tipo é fácil. Diria mesmo demasiadamente tentador.

Mas voltando à questão do liberalismo e do catolicismo. É verdade, e a prová-lo, são os textos linkados no DA, que ao longo dos tempos a Igreja/Hierarquia se opôs aos movimentos sociais liberais.

Muito honestamente não consigo encontrar em que ponto um verdadeiro católico consegue encontrar motivos para se ser contra ao Liberalismo Clássico.

Tomando em conta que

O liberalismo clássico é uma ideologia ou corrente do pensamento politico que defende a maximização da liberdade individual mediante o exercício dos direitos e da lei.O liberalismo defende uma sociedade caracterizada pela livre iniciativa integrada num contexto definido. Tal contexto geralmente inclui um sistema de governo democrático, o primado da lei, a liberdade de expressão e a livre concorrência económica.

O liberalismo rejeita diversos axiomas fundamentais que dominaram vários sistemas anteriores de governo político, tais como o direito divino Dos reis,a hereditariedade e o sistema de religião oficial. Os princípios fundamentais do liberalismo incluem a transparência, os direitos individuais e civis, especialmente o direito à vida, à liberdade, à propriedade, um governo baseado no livre consentimento dos governados e estabelecido com base em eleições livres; igualdade da lei e de direitos para todos os cidadãos.

In Wikipedia Liberalismo Clássico


Em quê pode ser um católico contra isto?

Eu compreendo que a Hierarquia quisesse combater as revoluções liberais face às percas de poder, propriedade e influência. Mas como é possível no século XXI um católico esclarecido continuar defender tais posições quando se sabe hoje sobre o escândalo dos senhorios clericais, os faustosos e pouco evangélicos palácios episcopais e as escandalosas e indignas fortunas acumuladas à custa de dízimas que estorquiam e esmifravam o povo?

Sim, houve muitos exageros na Revolução Francesa e no caso particular português no Processo de implantação da Monarquia Liberal e da 1ª República. Nada justifica a vingança e muito menos quando estão em causa valores como igualdade, fraternidade e liberdade, por isso compreendo que muitos católicos se sentissem enganados e verdadeiramente perseguidos.

Por isso lanço o desafio de alguém me demonstrar onde há a incompatibilidade entre o liberalismo e o cristianismo.

Em comunhão

terça-feira, julho 03, 2007

O que é Evangelizar?

Evangelizar não significa em primeiro lugar, falar de Jesus a alguém, mas, a um nível muito mais profundo, fazer com que essa pessoa perceba o valor que tem para Deus. Evangelizar é comunicar estas palavras de Deus que surgem cinco séculos antes de Cristo: «És precioso aos meus olhos, eu estimo-te e amo-te» (Isaías 43,4). Desde a manhã de Páscoa, sabemos que Deus não hesitou em dar-nos tudo, para que nunca nos esqueçamos do nosso valor.

In Comunidade de Taizé, texto completo

sábado, junho 30, 2007

Motu Próprio - A salvação do Cristianismo

Em bom espírito democrático queria, antes demais, dar os parabéns a todos os tradicionalistas pela conquista que conseguiram. Afinal foram anos a fio a lutar, a fazer cisões e pressões, jogos de bastidores, milhares de sites e opinion makers de forma a alcançarem os seus objectivos. Há esperança assim que o Vaticano se torne mais democrático e que olhe com a mesma condescendência para outras minorias.

Mas hoje perguntam-se muitos, em quê exactamente vai mudar o Motu próprio da liberalização da Missa Tridentina?
Sim mudam algumas coisas. Com esta decisão a missa passa a ter quorum mínimo. Mínimo de 30 fieis e um padre que queira celebrar, senão fica para a próxima.
Muda também o conceito de comunidade paroquial em que os diversos movimentos tem que estar inseridos. Agora quem quiser, de forma bastante democrática pode organizar a sua própria paróquia e ganha grátis um relíquia pré conciliar, o Missal de Pio V.
Muda por fim a visão da Igreja/Hierarquia de ver o mundo. Face aos problemas em vez de procurar soluções, volta-se para trás para tentar ver se tudo volta a ser como era. Também não entendo bem o que quer dizer ser como era, mas acho que a ideia geral é de ver se a Hierarquia consegue de novo ter uma influência paternalista nos crentes.

Bolas, isto é só vantagens! Mas perguntam alguns, "Então isto é só coisas boas?"

Quase. Apesar de tantas mudanças, porque admito que este Motu próprio trará mudanças também a nossa Senhora de Fátima que fez o motu próprio por isso também não faz milagres. Também não vamos exigir que o Papa com este documento resolva todos os problemas que a Igreja tem em mão, como o número decrescente de consagrados, a linguagem desactualizada da catequese e o problema dos deslocados territorialmente, a democracia e a colegialidade dos bispos, a ecologia e o aquecimento global, os avanços na medicina, o diálogo ecuménico e a necessidade de fortalecer as comunidades de crentes cada vez mais sós num mundo que os despreza.

Ninharias... Mas também a quem interessa estes assuntos senão a meia dúzia de leigos metediços e a mulheres que querem mandar mais do que devem?

Por fim perguntam alguns, "Onde está a solução para tal Igreja em crise de que tantos falam?"

Acho que este motu próprio vai ser a verdadeira solução para as comunidades cristãs se debatem face ao mundo cada vez mais anti-clerical. Sejamos honestos, o problema está nos leigos. Querem participar demais, fazer as tarefas dos padres, querem até estudar e aprender teologia. Estão a querer saber demais. Mas como não tem o sacramento da ordem só estragam em vez de ajudar. Por isso a solução é simples. Voltar a ter os ritos tipo magia de forma a que ninguém possa vir com intenções de querer fazer as vezes do padre. Não tens "ordem" não fazes parte do clube. Ponto final. Depois voltar a ter as coisas de forma a que ninguém intenda e assim quem não intende também não pode vir com críticas muito grandes. E finalmente como eu sou padre e tu és leigo, eu mando tu ouves e calas, tu que és leigo mesmo sendo ateu, tens que me ouvir e calar.

Fácil! Porque é que não se penou nisso antes? Volta Monsenhor Lefevbre, pode ser que na onde ainda te apressem o processo de beatificação.

Não resisto a partilhar esta imagem convosco. Já estou a ver a Catedral de Lisboa a arrebentar de reconvertidos, os sinos a rebate para toda a Cristindade. O Diário Ateísta a ranger os dentes de raiva pela nossa capacidade de síntese, eficácia de pensamento e deste golpe final nas aspirações de ter um sociedade laicizada. A Palmira do rerum mundi sem capacidade a escrever um artigo a admitir que esteve errada todo este tempo e que a terra é plana e havia dinossauros na Arca de Noé.

Para terminar ponho uma citação do senhor dos pneus, esse profeta da desgraça que sempre nos acompanhou nesta luta incansável:

O fantástico e igualável Professor Pirelli
"Aliás, o modo que Bento XVI escolheu para liberar a Missa é sintomático: ele vai liberar a Missa por meio de um
Motu Proprio, isto é, por meio de um documento papal que indica ser uma vontade pessoal do Papa. Uma decisão oficialmente tomada por sua única vontade, sem necessidade de consultar os Bispos. O que é um golpe na Colegialidade em má hora e erradamente proclamada pelo Concílio Vaticano II.
O Motu Proprio vai contra a Colegialidade do Vaticano II.
Sutilmente... Juridicamente...
Sem pretender-se tal, o Motu Proprio de Bento XVI, como dizem os italianos, "è proprio um terremoto". É mesmo um terremoto.
Ó Terremoto imensamente desejado que causará a ruína, o desmoronamento e o sepultamento da Nova Igreja Modernista nascida do Concílio Vaticano II!"

Sintomático!

Em comunhão

quarta-feira, junho 27, 2007

Crónicas de um voluntário permanente em Taizé

A época de exames tem destas coisas... falta de tempo para escrever! Durante o tempo de que estive em Taizé, escrevi uma entrevista para a Flor de Lis, revista oficial do Corpo Nacional de Escutas. Bom, fica aqui que alguém pode achar interessante...

As perguntas são da autoria do Nuno Martins.

Como foi a tua formação escutista?

A minha formação escutista foi muito normal. Durante umas férias de Verão, quando tinha 6 anos, um amigo mais velho que já estava no meu agrupamento 52 de Santarém, falou-me de acampamentos, jogos nocturnos e fogos de concelho... a partir de aí até hoje, acho que nunca parei de pensar que os escuteiros são do melhor que existe. Lobito, Explorador, Pioneiro e Caminheiro, foram etapas de formação pessoal que sempre as senti como meios para ir um pouco mais longe, mais profundo na mística e na vivência escutista. Considero muito importante também a dinâmica de grupo que se aprende nos grandes eventos escutistas como ACANACs e ACAREGs, visto que são ocasiões de grande festa mas também de grande inter ajuda com outros agrupamentos e outras regiões que têm maneiras diferentes de viver o mesmo escutismo. Como caminheiro, rapidamente entrei em Comissão de Serviço e depois de uma pausa pedagógica (a universidade tem destas coisas) de um ano meio voltei ao activo para fazer a minha promessa de dirigente. Assim estive até que vim para Taizé. Foi um percurso cheio de boas recordações, muito suor, alegrias e acima de tudo a certeza de estar ir no rumo certo, num trilho contínuo de serviço aos outros e a Deus.

Em que medida influenciou a tua vida?

Os escuteiros são sem dúvida alguma o pilar da minha formação humana, social e religiosa. Daqui e por aqui, toda a minha vida foi moldada e trabalhada, na patrulha, na equipa e no clã. A Lei do Escuta e os Princípios são realidades que transportei para os diversos sítios por onde passei, quer tenha sido na Tuna ou nas Associações de Estudantes. A aprendizagem pelo jogo e pela acção, o privilégio da iniciativa e da imaginação e, sobretudo, o gosto que se adquire de trabalhar para e com os outros, são para sempre marcas em todos os aspectos da minha vida. «Uma vez escuteiro, escuteiro para sempre.», eu prefiro dizer, «Quem é escuteiro, nunca deixa de o ser».

Taizé, de onde veio essa paixão?

Taizé não é uma paixão mas um amor que surgiu quando eu tinha 15 anos nas aulas de Religião e Moral no secundário. Nesse ano lembro-me que vinha cheio de motivação e entusiasmado do ACANAC no Palheirão, onde estive como Pioneiro e decidi que queria aprender um bocadinho mais sobre a minha fé. A verdade é que algo tão simples, mais tarde revelou-se uma bênção. Quando, nas primeiras aulas a Professora Alzira falou de Taizé (já agora deve ler-se T. Z.) nem percebi muito bem o que se passava por lá e a minha motivação para ir passava muito por ir passear. Lembro-me depois de ter pensado que só um bando de tótos ou hippies e desajustados iriam a lugares destes e só sobre forte coacção poderia rezar três vezes ao dia. Apesar dos vídeos, slides, brochuras e cassetes nada nos pode preparar ou explicar o que é a Comunidade de Taizé ou um Encontro Europeu de Jovens até participarmos. Assim foi: quando chegamos de Santarém, 50 miúdos do Liceu e da Escola Secundária tudo ficou um pouco assustado com o movimento e com tanta gente. E gente de todo o lado, com culturas e línguas diferentes, com costumes e maneiras de vestir diferentes, protestantes, católicos, ortodoxos... tantas diferenças até à primeira oração. Onde estão as diferenças, onde estão os betos ou os chungas, os populares e os incógnitos, estes ou aqueles; afinal, Jesus é o mesmo para todos... de repente todos nos podemos aceitar um pouco melhor e descobrir que podemos ser mais iguais do que pensávamos. Quando acabou a semana e voltei para casa, e o desejo de voltar já se tinha transformado em certeza, e até hoje são poucos os que conheço que me disseram que não querem voltar.

Voluntário permanente por causa da natureza que rodeia Taizé, ou porque o seu ambiente relaciona-se com a tua pessoa?

Pelas duas coisas sem dúvida. Até vir para passar uma ''temporada, vim várias vezes por uma semana. Durante todo o ano, numa aldeia da Borgonha chamada Taizé, no meio de vales e montes verdejantes, a Comunidade de Irmãos de Taizé, com mais ou menos 100 irmãos vindos de mais de 25 países e de diferentes tradições cristãs, acolhe jovens de todo o mundo, proporcionando o tempo e o espaço necessários para cada um procurar em comunidade o que há de importante dentro de si. De domingo a domingo o programa não varia muito. Encontros em grupos de discussão e partilha, três orações por dia, workshops, trabalho, porque quem vem tem que ajudar nas diversas tarefas e a possibilidade de uma comunhão cultural, social e religiosa. Neste ambiente de partilha e inter ajuda quase naturais, qualquer um se sente acolhido e para muitos há a vontade de ficar por um tempo mais alargado. Claro que a decisão de ficar nunca é fácil para ninguém. Para nós portugueses deixar os amigos, a família, projectos e o percurso "normal" da vida só pode ser possível se para lá da vontade de ajudar, houver também o desejo de fazer um percurso de fé. Viver em Taizé, seja para um voluntário, um peregrino ou até mesmo para um irmão, é sempre uma descoberta do próximo, e nele encontrar o rosto de Deus.

A adaptação a uma vida de partilha, foi difícil?

É mais difícil para a família e amigos. De um lado tens alguns que te dizem "estás maluco" ou "vão-te fazer uma lavagem ao cérebro" ou por outro lado tens aqueles que te dão força e confessam que gostariam de fazer o mesmo. Pessoalmente penso que para nós escuteiros tudo é um pouco facilitado devido aos hábitos eu temos nos bandos, patrulhas e equipas, de partilhar as dificuldades, tarefas, alegrias e principalmente por aprendermos a ter espírito e sentido de grupo. É um desafio viver e trabalhar com pessoas de todo o mundo, com idades entre os 18 e os 30 anos, com experiências, vivências e expectativas muitas vezes tão distintas como alguém que acabou o ensino secundário ou o advogado que decidiu fazer uma mudança na sua vida. Como voluntário em Taizé, somos postos ao serviço bem ao estilo da mística a IV Secção em que estamos preparados desde coordenar, dirigir e exemplificar ou simplesmente fazer o que nos pedem o melhor possível. No outro dia alguém me dizia que gostava de fazer algo do estilo mas que nunca há tempo e a vida não permite... o tempo faz-se e as oportunidades criam-se... Deus chama cada um de nós a dar o que tem e fazer o possível por deixar o mundo um pouco melhor. Esta vida de partilha pode ser feita por todos nas mais pequenas coisas, nos grupos das paróquias, nos empreendimentos e caminhadas que podem ser planeadas no sentido dos outros ou simplesmente ajudar quem está mais perto.

Disseste-me que o voluntariado é um amor que queres continuar após esta grande experiência de vida. Fala-me das tuas perspectivas para o futuro.

As minhas perspectivas: para além de casar e constituir família, gostaria de me empenhar e comprometer mais a fundo com a Igreja em Portugal. Tantas vezes criticamos e nunca damos passos para aproximar ou ajudar a fazer melhor. Neste momento aprendo polaco de forma a ter um primeiro contacto com as línguas eslavas, para poder participar projectos de integração cultural e social e linguística de imigrantes de leste.

E de momento...

Desde de Setembro a até finais de Janeiro, estou integrado na equipa de voluntários da preparação do Encontro Europeu de Jovens em Lisboa que vai ter lugar de 28 de Dezembro de 2004 até 1 de Janeiro de 2005. O que é este encontro? Todas as semanas, depois de uma semana em Taizé, os jovens perguntavam aos irmãos como prolongar a experiência e continuar em suas casas, visto não existir nenhum movimento em redor da comunidade. Assim, desde há 27 anos que a Comunidade de Taizé, juntamente com as igrejas locais acolhem e dinamizam uma Peregrinação de Confiança num encontro de 5 dias numa grande cidade europeia. Este ano temos o privilégio de ser em Lisboa depois já ter passado desde Barcelona a Bucareste, de Viena a Milão passando por Paris e muitas outras cidades. Acredito que este encontro pode mudar algumas coisas nas paróquias que estão directamente envolvidas, nas dioceses de Lisboa, Setúbal e Santarém, mas também um pouco por todo o país. Todos são e estão convidados a participar e a ajudar, em especial os escuteiros. As formas de ajudar e participar são as mais diversas, quer seja acolhendo em vossas casas os participantes nas dioceses que estão envolvidas, vindo no dia 26 de Dezembro para ajudar nas diversas tarefas que precisam ser feitas ou simplesmente vindo a Lisboa como participante a partir do dia 28 de Dezembro e viver os dias de encontro com aqueles que vem de longe que neste momento se prevejam ser alguns milhares. Alguém disse que as oportunidades só aparecem uma vez... esta de certeza que têm que aproveitar.

Para finalizar, e tendo em conta a tua experiência em Taizé, diz-me o que significa para ti a seguinte expressão - "Conhece-te a ti mesmo."

Viver em Taizé durante estes meses com tanta gente diferente, partilhando momentos e aprendendo com os outros, não há outra solução senão confrontar o nosso eu. Deste encontro, em que sais do teu ambiente natural e que buscas conhecer-te, vais encontrar fraquezas e coisas em ti que não gostas tanto. Mas só assim podes dar um passo para te conheceres melhor. É isto que todos os sábados um pouco por todo o país, milhares de jovens fazem. Saiem das suas casas, das televisões, computadores, consolas e protecção do lar e arriscam aprender com uns com os outros a serem os Homens Novos de Amanhã. Este é um desafio que todos temos viver para sermos felizes... Conhece-te a ti, que és criatura, e encontrarás o teu Criador.

Em comunhão

quarta-feira, junho 20, 2007

Os 10 mandamentos do automobilista

Com certeza não será a primeira vez que o Vaticano menciona assuntos mais corriqueiros da vida, mas é para mim uma estreia ouvi-lo falar para todos com tão bom senso sobre o que acontece todos os dias nas estradas deste mundo fora.

É noticiado hoje em vários jornais online, um longo documento em que a Igreja Católica sublinha os perigos ao volante, recordando que no século XX morreram cerca de 35 milhões de pessoas nas estradas e aproximadamente 500 milhões ficaram feridas.

Apesar de alguns jornais fazerem passar a mensagem de que o Papa provavelmente nem sequer terá lido o dito documento, penso que já é bastante lembrar que os caminhos da virtude e da santidade também passam pelo nosso comportamento na estrada.

Assim o Vaticano decidiu publicar dez mandamentos dirigidos aos condutores. E um aviso: os automóveis podem ser objectos de pecado.

Fica aqui a lista destes 10 mandamentos .

1 - Não matarás;
2 - A estrada deve ser uma via de comunicação entre pessoas e não um meio mortal;
3 - Cortesia, respeito e prudência irão ajudar a lidar com acontecimentos imprevistos;
4 - Seja caridoso e auxilie o próximo na necessidade, especialmente as vítimas de acidentes;
5 - Os carros não devem servir como uma expressão de poder e dominação, nem como motivo de pecado;
6 - Convença caridosamente os mais jovens e os não tão jovens a não conduzirem quando não estão em condições para tal;
7 - Ajude as famílias vítimas de acidentes
8 - Reúna os motoristas culpados e as suas vítimas, quando chegar o tempo apropriado, para que eles possam passar pela experiência libertadora do perdão;
9 - Na estrada, proteja os mais vulneráveis;
10 - Sinta-se responsável pelos outros.

Apesar de alguns pontos serem um pouco estranhos, penso que é uma excelente ideia e que pode ser que ajude um pouco na Polónia onde vivo. É para além de ser um país de católicos é também um país em que se conduz no limite da loucura.

Em comunhão

quarta-feira, junho 13, 2007

Luta contra a SIDA - Campanha ABC


Como tenho notado que o número de visitantes brasileiros tem vindo a aumentar e a propósito da recente campanha do presidente Lula de dar preservativos, gostaria de escrever algo sobre a campanha de luta contra a Sida que teve mais sucesso, até recentemente a única que realmente se pode falar verdadeiro em sucesso.

Chama-se estratégia ABC e tem tido lugar no Uganda e no Botswana, e tem conseguído de contrariar os valores ascendentes de infectados do continente onde se situa para conseguir não só estabilizar mas também reduzir o número de novos infectados.

Esta estratégia foi desenvolvida para responder à crescente epidemia de Sida e prevenir a transmissão de outras doenças sexualmente transmissíveis sendo ao mesmo tempo compatível com uma população maioritariamente cristã.

ABC apesar de uma referência evidente aos primeiro passos de algo é o acrónimo inglês de:

A de Abstinence (abstinência)
B de Being faithful (ser fiel)
C de Condomize (uso do preservativo)

Esta estratégia de luta contra a epidemia recomenda em primeiro lugar abstinência sexual fora do casamento embora interpretações mas liberais a expliquem de forma a que os jovens adiem o mais possível o início da vida sexual. Depois ser fiel, ter um só parceiro numa relação longa e estável. Por fim o uso de preservativo e outras medidas de protecção sexual.

Ou seja primeiro abster-se. Quem não se abster então então que seja fiel. Se não conseguir fiel então usar preservativo.

Estou em crer que esta campanha consegue juntar o pragmatismo de assumir que a fidelidade por si só é insuficiente e ao mesmo tempo deixar no claro que o preservativo é última linha de defesa, o último recurso para se protegerem da Sida.

Sendo uma solução de consenso entre os meios mais conservadores e os mais liberais cristãos, estranho que o Presidente Lula, católico assumido, não tenha procurado uma solução mais pacifica e unânime.

Pelo que li a maior parte do sucesso deveu-se antes demais ao adiamento da idade de iniciação sexual (abster-se), depois uma redução do número de parceiros sexuais (ser fiel) e é claro, que o aumento do uso do preservativo também teve influencia.

Por outras palavras, não é uma campanha tipo "samba de uma nota só" como as que temos muitas vezes em que apenas e só insistem no uso do preservativo, passando inclusive informações erradas ao exagerar quer na sua eficácia e passando uma imagem de facilitismo e utilitarista da relação sexual . Por outro lado, não deixando de fazer passar a mensagem dos valores cristãos como o matrimónio e a fidelidade, não cai no exagero que tantas vezes a Igreja Católica se deixa levar de ver o mundo a preto e branco sem possibilidades de cinzentos.

Em comunhão

segunda-feira, maio 28, 2007

Woodstock do Espírito Santo - Lednica 2000

No dia 2 de Junho irá ter lugar mais uma edição de um evento que se repete desde há 10 anos em Lednica, Polónia.

Lednica 2000!

Este encontro de jovens, organizado pelos dominicanos, em especial na pessoa de Jan Góra, O.P. atrai milhares de jovens por altura do Pentecostes, para participarem num
autêntico festival do Espírito Santo.

Concertos, oração, danças ao ritmo de jambés, Eucaristia, encontro e partilha de fé! Tudo isto com ritmos bem modernos e sem demasiados formalismos. E claro, sem rios de cerveja e o perfume inconfundível das ganzas dos festivais de verão e das queimas das fitas.

No outro dia na
Companhia dos Filosofos, o João Delicado S.J. perguntava o que eu tantas vezes me perguntei, "Porque não há na Igreja um evento tipo festival de Verão ou Queima das Fitas?"

A verdade é que há, nós em Portugal é que ainda não descobrimos ou temos nos contido de dar asas à imaginação e deixar o Espírito Santo nos conduzir.

Pois é, nós portugueses somos os latinos, os polacos os frios de leste mas na expressão e vivência da fé acho que nós é que somos os blocos de gelo frios e sem chama. Fazemos 30 ou 40 festivais de verão com nomes de marca de cerveja, com nomes de terras perdidas no meio do nada, com nomes de músicas, com nomes de rios mas no fundo, muda a música mas os objectivos são os mesmos, fazer dinheiro à custa dos milhares de litros de cerveja enquanto se ouve música.

No fundo é assim. Num país que se orgulha de ser tão católico, não conseguimos ter um espaço para os jovens cristãos darem largas às suas expectativas e necessidades de originalidade.

A verdade é que é urgente dar cor e som à fé.

Em comunhão

quinta-feira, maio 24, 2007

Os "nossos" tiques

Todo o ser humano, admitindo ou não, é um produto de diferentes influências e mesmo nunca sendo um produto acabado e com a capacidade até ao fim da sua vida se reinventar, pode-se encontrar/traçar algumas tendências, alguns tiques.

A minha mulher insiste que eu generalizo demais... admito que sim! Porém nas generalizações, e principalmente nas caricaturas podemos encontrar vícios que não queremos admitir ou que fazemos por esconder.

Esta colectânea de tiques cristãos em forma de paródia tem um toque especial, pelo para mim, que se por um lado gostaria de me identificar só com um dos lados, acabo por encontrar caracteristicas minhas em ambos dos personagens.

Tique #1; Tique #2; Tique #3; Tique #4

Em comunhão

quarta-feira, maio 23, 2007

Pai, será que eles não sabem o que fazem.

Com a contagem decrescente para o nascimento da minha filha, noto que há coisas/assuntos que me chocam, não mais do que antes mas que me deixam mais preocupado e pensativo.

Em tom de confidência, a paternidade, mesmo sendo ainda em regime de observador externo, está a mudar-me. Tem-me feito por um lado descobrir uma faceta mais humana, estando mais desperto aos problemas que afectam os mais fracos e oprimidos. Mas ao mesmo, e não tendo ambições ou fantasias de ser Deus ou criador do que é que quer que seja , tem-me posto perante questões sobre a Sua perspectiva das coisas. Ou pelo menos assim assim gosto de pensar...

Nas minhas andanças por sites pouco recomendáveis a bons católicos, há popr vezes denúncias que devemos ouvir e reflectir. No Diario Ateista fazem referência a um
documentário sobre o Vaticano e a pedofilia que me deixou chocado.

Tento fazer deste meu blog não só uma forma de partilha mas também gosto de pensar que de alguma forma posso contribuir para que os possíveis leitores pensem e reflictam no que acreditam e porquê.

Embora a temática da pedofilia no clero não seja nova, há alguns elementos neste documentário que me deixam completamente consternado, indignado e com vontade de escrever ao Papa. Não que eu tenha a presunção de pensar que por serem padres, estes homens estão isentos por obra e graça do Espírito Santo de qualquer pecado. Tão pouco acredito que por serem padres têm mais culpa que os demais, apesar de sentir uma tristeza profunda ao pensar nos muitos e bons padres que conheço, porque existem, que se vêm mal representados e que ganham má fama.

as como disse há certos pontos que me deixam estarrecido.

O primeiro aspecto é questão do discernimento vocacional. Como é possível que alguém que passe pelo menos 5 anos dentro de um seminário e ninguém dos supostos directores espirituais se consiga dar conta, que algo vai mal no reino da Dinamarca? Claro que mais enervado fico com a solução escondida apresentada, que foi recusar a entrada homosexuais nos seminários. Como se ser homosexual fosse condição para se ser pedófilo...

O segundo ponto é questão do celibato. É incrível que se assobie para o lado e se insista numa lei puramente canónica e de foro disciplinar mantendo o celibato dos padres obrigatório face a constantes denúncias de casos de distúrbios do foro sexual e para já não falar nos outros casos conhecidos de abandono e falta de vocações. Sim, é verdade que o protótipo do pedófilo afecta também homens casados e com filhos, mas sejamos honestos, reprimir a sexualidade aguça a vontade e o desejo, e ainda mais se forem aqueles desejos escondidos mais proibidos mais desordenados.

O terceiro aspecto é a política interna de silenciamento das vítimas. É totalmente asqueroso, nojento quase ao ponto de dizer diabólico, a forma como as Hierarquias lidam com os "problemas". Desculpem lá meus amigos, mas e então o pastor que larga as 99 ovelhas para ir procurar e consolar a 1 que está perdida? Negociar acordos silêncios para manter uma imagem cada vez mais estilhaçada de superioridade moral é não só imoral de toda e qualquer perspectiva mas é doentio que me deixa sem palavras.

Por último, e este ponto, como futuro pai e cristão, deixa-me realmente de fé esfrangalhada e sem vontade de voltar a pôr os pés numa igreja para salvaguarda da minha prole. Como é possível que a Hierarquia, em especial Bispos, Cardeais e o próprio Papa, tendo conhecimento dos casos não colaboram com as autoridades de forma a responsabilizar e a punir os culpados e fazer os possíveis por prestar todo o auxílio possível às vítimas? Como é possível que para além não colaborarem ainda escondem e albergam dentro das suas casas o ladrão?

Eu sei que todos devemos perdoar mas Pai, será que eles não sabem o que fazem?

Em comunhão

segunda-feira, maio 21, 2007

Entrevista com Deus

Deve ser umas apresentações mais antigas que circula na internet e com direito com diferentes versões.

Esta entrevista com Deus, tem o condão de despertar em mim um sentimento de que o Pai me olha e que abana a cabeça com as minhas palermices com um sorriso nos lábios.

"Pai perdoa-me que tantas vezes não sei o que faço!"

Em comunhão

domingo, maio 20, 2007

Deus em formato MP3


Numa das minhas investidas em busca de palavras por essa blogosfera cristã, encontrei num blogue Jesuita, um link que me parecia interessante, principalmente para mim que constantemente me queixo da falta de tempo para rezar.

São nestas pequenas coisas, detalhes que podem passar despercebidos, que me fazem despertar a atenção e confirmar a presença de Deus nas nossas vidas. Não da maneira que muitas vezes imaginamos, como fogo de artificio e fanfarras, mas na brisa... neste caso em formato de mp3 ou wav.

O site chama-se Pray as you go, e como diz, é um site dedicado a rezar enquanto se vai. De onde se vai ou para onde não é o mais importante aqui, mas que se reze durante esse tempo.

Mas em que é consiste este site afinal?

Muito simples!

Os Jesuitas britânicos (o site é da responsabilidade da província britânica), preparam momentos de oração, leitura do evangelho do dia e reflexão, ao som de música muito bem escolhida, que gravam em formato MP3. Depois disponibilizam para qualquer um poder fazer o download de um só dia ou de a semana toda.

Finalmente basta carregar para o iPod ou para o telemóvel e rezar de casa para o trabalho, num intervalo para o almoço, nas filas do trânsito ou bem se quiser.

Genial, não é?

Comecei a semana passada e embora não esteja a ver luzinhas, nem ouvir este Jesus que me fala, é um tempo de oração que aos poucos acupa um lugar importante do dia e que cheguei a repetir a mesma oração mais do que uma vez.

Desvantagens? Ser em Inglês. Não que esta seja uma desvantagem para mim ou para a esmagadora maioria dos jovens, mas há muita boa gente que gostaria e poderia usufruir deste fantástico meio de evangelização e de oração, se houvesse formatos em outras línguas.

Pode ser que esteja para breve. Entretanto, enquanto não há em português já decorei:

Glory be to the Father, and to the Son, and to the Holy Spirit. As it was in the beginning, is now, and ever shall be, world without end. Amen.

Em comunhão

sexta-feira, maio 18, 2007

É menina!!!

Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens que inventaram as ecografias em 4D. Se alguém souber qual é a 4 dimensão que me explique que eu ainda não percebi, mas pronto isso é um detalhe.
Na 4ª feira fui fazer a primeira ecografia em que realmente deu para ver que vou ter uma filha!

É incrível que com 22 semanas o ser humano está formado, pernas, braços, cabeça, corpo...

Enquanto via pela primeira vez a minha filha a dar um valente de um bocejo, provavelmente cansada pela nossa intromissão e a indiscrição pensei sobre o aborto.

Desde o primeiro momento que quer eu, quer a minha mulher sentimos o nosso bebé como um ser humano que já fazia parte da nossa vida. Recordei aquela primeira eco em que mal se percebia se víamos um peixe ou um pedaço de carne comido ao almoço mas o coração que pulsava revelava que ali havia uma vida que lutava para crescer.

Nesses segundos que parecem horas, lembrei-me dos cuidados que tomamos, as vitaminas e os suplementos minerais, a preocupação acrescida na alimentação e na necessidade de descansar um pouco mais. Ai que há uma dor estranha e vamos já para o hospital porque há tanto medo dos abortos espontâneos, das gravidezes ectópicas e isto e aquilo...

A maioria destes medos, vive-mo-los durante as primeiras 10 semanas da gravidez... Será que alguém me vai conseguir explicar que durante essas primeiras semanas a minha filha era descartável, não humana? O aborto é um drama porque implica a morte de um filho...

Naquele écran com tons laranjas enquanto a minha filha insistia em não querer mostrar a sua "vergonha" pensei naquele provérbio popular sobre a pescada, antes de o ser já era!

Ainda antes de eu sequer saber, ela era já a minha filha.

Em comunhão

terça-feira, maio 15, 2007

Métodos Naturais... isso é Modernice!

Um dos assuntos sobre os quais tento escrever é o da contracepção natural. Embora não o tenha feito já à bastante tempo não esqueço a ausência de espaços de difusão e informação sobre os métodos naturais em português.

Supostamente, a Igreja deveria ter uma opinião solidamente formada sobre este assunto e principalmente os movimentos considerados conservadores ou tradicionalistas, deveriam ter uma posição forte e esclarecida sobre este assunto.

Mas qual não é a minha surpresa ao ler um artigo no famigerado
Montfort, do Professor Orlando Pireli assinado por uma tal de Lucia Zucchi que há pergunta de um leitor queria:

"Saber o porquê que a ela permite que os casais católicos evitem filhos por meios naturais, como por exemplo, a tabelinha, e não deixa que eles usem a camisinha. Já que a Igreja permite que os casais utilizem os meios naturais não deveria ela permitir os artificiais?"

O rapaz tem boas intenções e até se afirma como "católico e amo a Santa Igreja, mas é que estou com essa dúvida"

Qual não é o meu espanto que a dita senhora apresenta a seguinte resposta:

Prezado Leitor,
Salve
Maria!

Quando Nosso Senhor Jesus Cristo pregou a indissolubilidade do matrimônio perante os judeus, estes Lhe perguntaram porque então Moisés tinha-lhes permitido o divórcio.
A resposta de Nosso Senhor foi clara: "Por causa da dureza de vossos corações" (S.Mateus 19, 8).

Pois bem, a Igreja permitiu a limitação de filhos pelos chamados métodos naturais "por causa da dureza de vossos corações". Mas, como continuou Nosso Senhor, na lição sobre o divórcio, "no princípio não foi assim"!

Deus fez o casamento para que os homens crescessem e se multiplicassem e não para que tivessem o mínimo de filhos possível! Ele permitiu que os homens pudessem ser chamados "pai", assim como Ele mesmo é chamado, como uma benção, a ser recebida com gratidão, e não como um castigo, a ser evitado!!!

Os tais "métodos naturais" às vezes, ou muitas vezes, falham. Pois é! Ao menos
nessas ocasiões, Deus pode dar a graça de um filho para um católico que não o
desejava, "por causa da dureza de seu coração"!

Já que a vinda do Santo Padre ao Brasil voltou a por em evidência termos tão esquecidos como "prática dos mandamentos", "virgindade" e "fidelidade" (veja o
discurso aos jovens no dia 10.05.07 em São Paulo), que ele pregue mais vezes aos católicos o magnífico ideal da "família numerosa", como fez no início do seu pontificado (vide notícia no site Montfort).


In Corde Jesu,
Lucia Zucchi



Oh meus amigos!!! Mas o que é isto? Então não é que os supostamente iluminados e bem intruidos Pirelianos não conseguem encontrar alguma coisa mais elaborada do que dizer que não interessa a contracepção mas sim ter muitos filhos e famílias numerosas?

Transcrevo a carta que lhes escrevi e que espero um dia destes vir a ter uma resposta.

A propósito de uma carta a perguntar sobre os métodos contracepcionais naturais, gostava de perguntar à Senhora Lucia Zucchi que dados apresenta para afirmar que:

"Os tais "métodos naturais" às vezes, ou muitas vezes, falham."

Segundo os dados de algumas organizações de saúde em condições óptima de utilização, os métodos naturais podem ter um indice de eficência a rondar os 95%.

Mesmo admitindo que os métodos naturais não sejam os mais eficientes, será que não consegue encontrar vantagens ao nível da saúde da mulher, o valor acrescido ao acto sexual ou tão simplesmente os frutos que podem adevir de uma maior responsabilização e compromisso em casal no que se refere à vivència da sexualidade?

Será que não consegue tão simplesmente encontrar o valor da castidade e da abstinência dentro do matrimónio como frutos do Espírito Santo?

Não considera que o seu argumento para utilizar o método natural seja o equivalente a dizer que usar o método natural, não tem qualquer importância e que dá razão aos que dizem que os métodos naturais não funcionam?

Qual a sua opinião sobre o conceito que o Papa defende de Paternidade Responsável?
Em comunhão

domingo, maio 13, 2007

Propostas para a missa

A propósito da reflexão que tem surgido sobre a forma de celebrar ou não a Eucaristia gostava de fazer algumas sugestões que penso que não fazendo a missa mais misteriosa e transcendente, contribuiem para que haja mais comunidade. E onde há comunidade, nem que sejam dois ou três reunidos em nome dEle...

1º- O lugar do sacerdote.
Pela minha experiência em Taizé acredito que o sacerdote poderia estar sentado não de frente para a Assembleia mas sentado com a Assembleia. Mesmo tendo um lugar destacado e convenientemente paramentado e ainda para mais sendo a Eucaristia um acto comunitário, penso por isso que quem preside pode muito bem juntar-se ao povo enquanto há uma leitura, quando há a oração dos fieis ou quando se reza o Pai Nosso. Este sinal pode contribuir como exemplo de maior comunhão entre os que vivem a Eucaristia, que o Padre sendo o pastor, está também entre a comunidade dos crente e que não é um ser à parte. Claro que existem momentos específicos como a saudação, a consagração, a benção final e alguns outros momentos em que é indespensável que o sacerdote esteja no altar, representando o lugar que Cristo ocupava na última ceia.

2º- As homilias.
Penso que não viria mal ao mundo se as homilias fossem feitos por outros que não só os padres. Leigos, religiosas, testemunhos locais que se relacionem com o Evangelho, pequenas representações tudo deveria servir para fazer a Palavra de Deus mais presente, mais vivida. Existem leigos que só partilhando a sua experiência de vida são autênticos evangelhos vivos.

3º- O silêncio
Uma das coisas que impressiona a esmagadora das pessoas que vai a Taizé é o silêncio. O silêncio orante, expectante, donde brota o diálogo com Deus e onde podemos encontrar a masi profunda comunhão com Ele. Se bem que o silêncio em Taizé é utilizado como substituo prático face ao problema logístico de ter homilias traduzidas por vezes para mais de 25 línguas, creio que se poderia pôr um momento de oração contemplativa depois da Homilia ou depois da comunhão.

4º- A Comunhão.
Deveria ser dada mais frequentemente em duas especies. Mais ministros da comunhão dando não só o Corpo mas também o Sangue. Para comunidades que se querem fortes e bem formadas este é um ponto bastante importante.

4º- Liturgia de Lima.
Esta liturgia, discutida e trabalha em conjunto por Católicos, Protestantes e Ortdoxos, é considerada válida na Igreja católica e permite ser um passo concreto no caminho ecuménico. O ecumenismo não se pode resumir a palavras, encontros, oração pela unidade dos cristãos e comissões. Há que ser concreto e pôr-se ao caminho em conjunto. A Eucaristia, centro da vida de cada cristão deve ser o ponto de partida para encontrar ponros e comum e ultrapassar as diferenças.

5º- Simplificação da linguagem litúrgica.
Eucaristia é festa e é o centro da vida comunitária de um cristão e o alimento da fé que nos ajuda a seguir adiante. Este alimento obviamente não se resume apenas e só à Sagrada Comunhão. A palavra, o gesto e o ritual são elementos concretos e necessários ao renovar a fé. Se falamos em fórmulas que não percebemos, em quê vamos buscar alimento? Se o sermão for longo, cheio de palavras caras mas que o povo não ouve que proveito fica? Há que falar sobre coisas concretas, trazer a Palavra de Deus ao nosso dia-a-dia, procurar a expressão da nossa fé com as nossas próprias palavras e que fazem sentido aos fiéis. As fórmulas desprovidas de significado são hocus-pocus que pouco ou nada ficam a dever a rituais mistico-pagãos

6º- Pão benzido.
muito que a Igreja Ortdoxa tenta encontrar soluções para que aqueles que não podem comungar, se sintam parte da cerimónia da Eucaristia. Assim penso que deveríamos importar do rito ortodoxo a tradição do pão benzido para aqueles que não são batizados, para os que não se sentem preparados para comungar. Não sendo sacramento é um sinal de comunhão e de união com aqueles que não estão canonicamente em condições de comungar. Isto pode ser um solução mais humana, mesmo que provisória, para o problema dos divorciados.

7º- Música.
Não basta ter 2 velhinhas a cantar as mesmas músicas e uma e outra vez. Que se dê espaço aos jovens para se expimirem e inovarem. As músicas de Taizé, sendo curtas e repetitivas são uma solução a considerar e a divulgar. Acho que se deveria recuperar o salmo cantado, afinal era a sua finalidade inicial.

Em comunhão

quarta-feira, maio 09, 2007

Anti-clerical! Perdão, ateu esclarecido... II

O Eduardo mencionou um artigo do blog do Zé sobre o fanatismo e o ateísmo que eu tomei a liberdade linkar para que se possa ter um acesso mais directo.

É bastante interessante principalmente sendo a opinião de um agnóstico.

Em comunhão

terça-feira, maio 08, 2007

Ser Pai... porra que isto dá medo!

No domingo à noite senti pela primeira vez o bébe que está na barriga da mulher.

De repente tive uma espécie de flash back invertido e pela minha cabeça começaram a percorrer ao melhor estilo de Tim Burton, todos os possíveis perigos que um recém nascido pode estar sujeito.

A televisão que está demasiado baixa, o chão que é demasiado duro, a pedra da lareira que é demasiado esquinada, as bugigangas que andam espalhadas que são fantásticamente atractivas para engolir e engasgar... AAAAAHHHHHHHH!!!!

Juro que senti uma gota de suor frio a correr-me pela testa.

Antes de adormecer ainda me levantei duas vezes para ver se o fogão era fácil de abrir e se havia alguma tampa de pasta de dentes em algum cantinho...

Hoje pensei, isto de ser pai dá medo!!!

Como é que será se sentirá o Pai lá de cima ao ver-nos a fazer tantas maluquices e perante tantos "móveis" e coisinhas pequeninas que podemos engolir?

Ainda bem que eu não sou Deus porque senão já andava a planear comprar borrachas protectoras de cantos e tampas para as fichas electricas do mundo inteiro...

Em comunhão

terça-feira, abril 24, 2007

Anti-clerical! Perdão, ateu esclarecido...

Confesso que gosto de ler o que pensam os que pensam diferente de mim, em especial uma meia dúzia de sites ateístas e alguns sites tradicionalistas católicos. Por incrível que pareça, as opiniões, que à partida deveriam ser tão diferentes, são muito idênticas quanto à ideia que fazem de Deus.

Mas para minha grande desilusão muitas das vezes, em vez de ouvir a defesa das suas posições, o que se pode ler muitas vezes são ataques às posições dos outros.

Eu por exemplo, tinha uma concepção de que um site ateísta, deveria apresentar uma visão do mundo sem Deus ou, num mínimo aceitável para uma saudável convivência com o resto do mundo que o rodeia, uma recusa baseada uma refutação lógica das opiniões crentes.

Um exemplo que há muito pouco tempo tive o gosto de conhecer é o blog De Rerum Natura, que em geral é um local onde o saber é cultivado e partilhado nas suas mais diversas vertentes.

No entanto o mais fácil e comum é o gozo e o menosprezo. Tirando raras excepções, os sites ateístas em português são anti-clericais. Vou mais longe afirmando que é mais fácil encontrar um lobo ibérico que um verdadeiro ateu. A verdade é que não existe ateísmo em Portugal mas simplesmente anticlericalismo.

Neste sites para além de serem anti-clericais, sente-se um elitismo bacoco em que se faz a propaganda de que o ateu é esclarecido, científico, lógico, quase uma raça à parte e mais evoluída. Por outro lado o homo religiosus é um ser baixo na escala de evolução que não se consegue livrar dos mitos dos antepassados e das suas mentiras e por isso só pode ser alvo de chacota.

A imagem de Deus, muitas vezes apresentada nestes blogs, é de um Deus mau, tirano e ainda para mais criado para oprimir e explorar as classes mais pobres e menos instruídas.

Claro que um dos alvos favoritos em Portugal é a Igreja Católica, que muitos destes blogs a tratam carinhosamente por "ICAR". Mas o mais incrível é que as críticas apresentadas são normalmente apontadas para uma Igreja que cada vez menos existe.

Assim, numa ira destruídora que nem o verde Hulk, a ICAR é pintada como uma hierarquia sexualmente reprimida, que propaga uma ideologia criada pelo homem para oprimir o outro, baseada num livro que está cheio de contradições e com um conjunto de fieis que merecem apenas pena.

É óbvio que qualquer tentativa de evolução é vista como luta pela sobrevivência e que apesar das muitas mudanças feitas desde o Concílio Vaticano II, o alvo católico continua parado no pós Trento.

É pena que assim seja, porque para a construção de uma sociedade melhor é necessário o diálogo entre todas as forças sociais.

É claro que existem ateus esclarecidos, que não acreditando, aceitam que outros possam ter uma fé, seja ela qual for. Um ateu deveria ser acima de tudo alguém que não acredita e não alguém que à força do mau gosto e do insulto se quer fazer passar por inteligente só porque os outros são, na sua opinião, inferiores a ele.

Num estado laico e democrático e que se quer plural, o respeito pelas minorias é um dever mas será que não se deve respeitar também a fé de cada um?

Em comunhão

domingo, abril 22, 2007

Nova Evangelização

Há mais ou menos um ano e meio, um dos tems mais discutido entre os meios católicos portugueses dava pelo nome Nova Evangelização. Com a aproximação do Congresso com o mesmo nome, da esquerda à direita, de modernitas aos ultra-tradicionalistas, todos davam as suas opiniões, críticas, queixas e sugestões.

Hoje, o Congresso passou, poucos se perguntam quais foram os resultados porque também são poucos o que se lembram do que se passou no dito congresso, mas continua a existir a urgência de uma real e concreta Nova Evangelização.

Para quem não sabe, este termo, foi primeiramente utilizado pelo Papa João Paulo II e visa principalmente catótilicos que deixaram a Igreja, isto é, procurar as ovelhas perdidas. Claro está, que poderiamos ficar por este assunto e discutirmos se vale a pena chover no molhado ou se mais vale ir pregar para outra freguesia.

Mas assumindo que re-evangelizar pode e deve ser um caminho para novos cristãos há que discutir propostas concretas.

Passo uma lista de coisas que deixo à reflexão...

1- Aplicação dos documentos conciliares e reformulação e restruturação dos conteúdos e métodos catequéticos.

2- A Partilha da sacristia entre leigos e sacerdotes de forma a proporcionar uma gestão mais participada da vida da paróquia.

3-Dar espaço aos leigos para ocupar lugares de responsabilidade dentro das estruturas da igreja. Que os padres sejam mais pastores e menos admnistradores.

4- Abertura ao diálogo franco e honesto entre teólogos conservadores e progressistas e não a censura porque alguém ousa pensar diferente.

5- Promoção do diálogo ecuménico partindo do pressuposto que ambos os lados estão dispostos a perdoar e a realçar os pontos que os unem e não os que os afastam.

6- A criação de novas formas comunitárias, ou a sua aplicação mais generalizada a exemplo do que acontece noutros países, Mariápolis, Comunidade das Beatitudes, Comunidade de Chemin Neuf em que padres, religiosos e famílias vivem em conjunto. Se bem que as paróquias também deveriam recduperar este lado comunitário cada vez mais esquecido.

7- Abertura à discussão moderada sobre assuntos polémicos como sejam os divorciados, a homossexualidade e a contracepção. Apresentemos a vida religiosa de uma forma positiva e não como uma obrigação.

8- Animação para crianças durante as missas permitindo que os pais se concentrem mais e os miúdos possam ter participação na festa que é missa de uma forma mais fácil para o seu entendimento. Se às vezes para nós uma hora de missa é uma seca imaginem os miúdos.

9- Expo Igreja- Todos os anos na FIL, fazer um mega-exposição festival à imagem do que aconteceu com o MultiFestival David com a possibilidade de todos os movimentos, congregações religiosas e dioceses estarem presentes com um stand e se darem a conhecer.

10- Criação de um centro de formação teológica e catequética de Verão para Jovens. Não ter medo de encarar que a juventude quer se encontrar e festejar, no fundo demonstrar que a Igreja é lugar de encontro e festa.

Em comunhão

quinta-feira, abril 12, 2007

Alergia aos irmãos Kaczynski

É com muita tristeza que tenho reparado que na blogosfera e na imprensa em português, tem surgido notícias muito pouco abonatórias quanto à política polaca. Se isso não me espanta muito devido à fauna política autóctone, acho que no entanto deve ser desmascarada quando quase que existe uma campanha concertada feita de mentiras e de mitos, que visa em especial os irmãos Kaczynski por, principalmente estes serem católicos praticantes.

Não é preciso ser muito participativo na vida política polaca para se ter uma opinião de quem se gosta ou não.

Mesmo quem não percebe muito de polaco não pode evitar de dar umas boas gargalhadas com as palermices do Lepper e os fait-divers que envolvem o partido da Defesa Pessoal (Samobrona em Polaco). Também é impossível não ficar triste e até indignado, que um país tão martirizado pelos maiores tiranos do século passado, possa ter partidos como a Liga das Famílias Polacas (Liga Polskich Rodzin em polaco) e com as declarações pouco cristãs, homofóbicas e fundamentalistas do senhor Giertych.

De referir que estes dois partidos fazem parte da coligação atípica e amorfa que governa o país motivada por um presente envenenado que o o anterior presidente ao marcar eleições presidenciais e para o parlamento para a mesma altura e que inviabilizou uma mais que esperada coligação entre o PO do senhor Tusk e o PiS dos irmãos Kaczynski.

Quanto ao partido dos gémeos irmãos Kaczynski, o PiS, e mesmo considerando ambos como pessoas inteligentes acho que a política interna e externa que eles querem seguir não é a mais indicada para um país que acabou de entrar na União Europeia. Ainda mais para um país de tantos contrastes e contradicções. Um país que bate constantemente recordes na bolsa de valores local mas que ao mesmo tempo tem a maior taxa de desemprego dos 25, que tem a maior taxa de frequência dominical da missa católica e que tem um batalhão interminável de hooligans e alcoólicos.

Mas voltando aos irmãos Kaczynski. São conservadores, católicos, um deles ainda vive com a mãe e são tudo menos bichos de câmara. Têm pouco à vontade com os média, as declarações na televisão são muitas vezes pouco naturais e pouco ou nada convincentes. Muito honestamente não me consigo lembrar de alguma coisa boa que tenham feito mas tão pouco me consigo lembrar de alguma coisa que tenham feito realmente mal.

Resumindo, são aquilo que eu considero um bom político do antigo regime comunista polaco, não fazem nada mas até não piorarem as coisas até podem ser considerados bons.

Já alguns dias tinha lido no blog Random Precision, um artigo que é simplesmente inqualificável pela quantidade de mentiras que apresenta.

Falam de uma coisa que eu estando a viver aqui nem sequer ouvi falar, uma tal de uma suposta Revolução Moral. Juntamente com o Diário Ateísta tem anunciado um estranha política
com iniciativas legislativas e políticas para impor os seus valores morais a todos os cidadãos. Quanto à homossexualidade não é preciso impôr nada porque 89% da população considera a homsexualidade uma aberração.

Dizem ainda que além de promoverem um discurso abertamente anti-semita, de proibirem qualquer forma de união de facto entre pessoas do mesmo sexo, de anunciarem a proibição do divórcio, de alterarem os currículos escolares para que o criacionismo fosse ensinado nas aulas, os irmãos procuram agora impedir os homossexuais de trabalhar na função pública, estando já em curso a apresentação de uma lista inicial oficial de proibições.

Para além da última afirmação que é parcialmente verdade, visto este projecto de impedimento visar só profissões em que se possa ter contacto físico com crianças e está a ser levado a discussão pelo Sr. Giertych, alguém já ouviu algumas destas parvoíces pelo menos nos meios de comunicação social? Já nem digo entrevistas dadas pelos gêmeos mas pronto...

Para terminar ainda a referência a estes Devaneios Desintéricos que com uma série de artigos prova que sabe tanto da Polónia como eu do cultivo de pera rocha. Pelo menos que fique a saber que os gêmeos se chamam Kaczynski e não Marcinkiewicz, que a Lustracja existe desde há muitos anos neste país e que ainda para mais tem a pretensão de querer ensinar democracia aos polacos com uma carta enviada ao embaixador polaco.

Há sem dúvida uma alergia ao gêmeos Kaczynski pregejada de mentiras, por entre um anti-clericalismo mal disfarçado e um ressentimento e saudosismo comunista do podre Pacto de Varsóvia.

Democracia implica respeitar não só as minorias mas também respeitar quem pensa diferente. O uniformismo, típico dos regimes totalitários pode também surgir por entre um liberalismo desgarrado e sem limites.

A minha liberdade acaba quando entro na liberdade do outro.