quarta-feira, janeiro 31, 2007

Ciência e Fé

Gostava de ser um potento de inteligência e de memorização para poder fazer belas dissertações cheias de referências e citações importantes.

Infelizmente sofro de um mal, bem auto-diagnosticado mas sem nome oficial, de nunca me conseguir lembrar os nomes dos livros e dos autores em que li alguma coisa de real importância e inteligente, ou conseguir fazer citações com aquele brilhantismo só ao nível dos melhores escolásticos.

Nos poucos textos que escrevo ou nas minhas participações em fóruns, com toda a certeza faço uso de ideias de outros que infelizmente me esqueço da sua origem. A título de exemplo; um dia encontrei uma frase fantástica de Francois Varillon S.J. sobre a devoção mariana. A ideia/conceito ficou bem enraizada dentro de mim mas a frase exacta é que nunca mais encontrei até ao dia me ter dado ao trabalho de rever todo o capítulo sobre Maria.

Depois gostava de ser um às intuitivo que me permitisse fazer uso dos meus dotes de oratória e retórica com mais eficiência. E uma inteligência que me permitisse ter tiradas de génio que deixassem os outros a pensar... Infelizmente só a custo de algumas frases várias vezes reescritas e de um exercício de auto domínio me consigo forçar a terminar este texto.

Mas isto tudo porquê? Nos últimos dias tenho dedicado os meus tempos livres a ler um livro que se chama Breve História de Quase Tudo de Bill Bryson. Um livro que impressiona e que com justeza recebeu o prémio Aventis de 2004 para melhor obra de divulgação científica e que o Times comenta com um exemplo de que "As escolas seriam um lugar melhor se este fosse o número da bibliografia científica".

A realidade é que este livro fala num discurso bem fluído e saltitante mas compreensível, o incrível mundo da Quântica, da Teoria da Relatividade e fazendo familiar nomes que na maioria das vezes eram tabelas, instrumentos de medição ou teorias. Numa palavra, recomendo.

Mas se a leitura têm sido proveitosa em termos de conhecimento quer científico quer geral, o melhor será dizer que em termos de fé é os frutos são ainda mais visíveis.

Em todas aquelas teorias, teoremas, equações, relatórios e estudos existe sempre um espaço de especulação e o mais incrível existe sempre um espaço para Deus. Acho altamente prejudicial que a Ciência e a Fé se tenham afastado tanto uma da outra quando são claramente complementares. Com a Ciência conseguimos compreender como tudo funciona (acho que Deus é realmente muito inteligente para ter criado coisas que dão teorias tão complicadas), como tudo se encaixa harmoniosamente criando uma infinita e inimaginável de resultados e combinações e nos permite melhorar as nossas condições de vida.

Por outro lado a fé têm como perspectiva o fim último de todas as coisas. Não uma finalidade no seu sentido utilitário, mas porquê tudo se encaixa no fundo tenta responder às questões que nos assaltam a mente desde de que o homem teve capacidade de pensar em alguma mais que não fosse, comer, não ser comido por feras e procriar; qual o sentido da vida?

A melhor imagem que consigo arranjar, é com um quadro. Se o quadro fosse o mundo e o Universo, a ciência permitiria compreender como o quadro se faz, ter as melhores e mais inteligentes tintas, desenvolver as mais rápidas e eficazes técnicas de pintura e ergonomia, telas à prova de chuva e por aí fora. No entanto, a ciência nunca vai conseguir compreender o espírito humano do pintor ou daqueles que apreciam a obra de arte nas suas mais complicadas nuances. A religião por seu lado permite procurar e encontrar um sentido para o quadro, o pintor e os apreciadores de arte, dando-lhes mais verdade e realidade.

Muitos são os crentes que vivem como se tivessem dois mundos estanques e diferentes dentro de si. Face à incapacidade de negar as evidências da ciência não conseguem conjugar com os mitos criacionista que visam não ser um relatório ipsis verbis mas antes um relato que expressa o Amor de Deus na criação. Vários foram os que se perderam em vendettas pessoais de desacreditar um e outro lado, apelidando de tolos os que se deixam enrolar em historinhas da carochinha e em mitos ou de quem acha que somos macacos. No fundo são ambos os lados, fruto do fundamentalismo e incapacidade de dialogar.

Poucos são os que se atrevem a tentar juntar as duas pontas tentando dar-lhe uma consistência e congruência.

Por isso gostava de ser um potento de inteligência e de memorização para poder fazer belas dissertações cheias de referências e citações importantes.

Talvez assim conseguisse mostrar as pessoas que Deus está na ciência e que a ciência e a fé precisam e dependem uma da outra.

Em comunhão

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Hossanna!

Agora entendo melhor o significado das palavras do Hossana!

Vou ser Pai!!!

Em comunhão

segunda-feira, janeiro 15, 2007

A Gota

Chove!
E lá fora,sem que ninguém se dê conta,
no rame-rame da vida numa cidade,
os milagres acontecem.

Caiu na minha janela.
Já antes tinham caído mais,
mas não sei porquê naquela manhã de chuva
algo despertou a minha atenção.

Veio lá do alto,
sem para-quedas e sem nada que a amparasse,
bateu junto ao rebordo do caixilho
mas bem dentro do vidro.

Inesperado e o que parecia ser parte de uma tragédia,
transformou-se numa vida,
que devagar escorria pela minha janela,
desbravando terreno por aí abaixo.

Quando estava já a meio,
outras se juntaram,
mais acima ou mais abaixo,
mas sem que me distraisse daquela em especial que seguia segura o seu caminho.

A certa altura, encontrou outra,
juntaram-se e ficaram mais fortes, mais rápidas e decididas,
até que me apercebi que o fim desta vida estava próximo,
"A morte" pensei eu!

Alguns momentos depois de nascer,

a minha gota de chuva no vidro, morreu.
De encontro ao parapeito da janela,
que de tão alagado, fez com ela desparecesse.

Não consigui não ficar comovido
e pensar no meio parapeito
como um matadouro imparável
donde tantas pequenas vidas se perdiam no anonimato.

Quando virava as costas,
reparei que o milagre da vida acontecia
por entre o que eu à primeira vista,
qualificava de mortandade, de martírio.

No lugar de gotas,
individuos,um fio de àgua corria em direcção ao futuro,
encontrando-se com outros fios de àgua,
crescendo em comunidade, muitos num só mar.

No fundo, a nossa vida é assim. Vivemos a maior parte do tempo sozinhos, anónimos, até que alguém ou nós próprios se dá conta que existimos.A certa altura podemos evetualmente apercebermo-nos que a vida não começa no vidro, mas na nuvem ou até antes disso.E morremos sem nos darmos conta que a nossa vida faz parte de rio que corre para Deus.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Para pensar antes de votar

Deixo-vos algumas questões para ponderarem.... Com liberdade, respondam a estas 10 perguntas.

No final, somem os "Sim" e os "Não". Teram descoberto, através deste Exercício de Amor, qual o sentido de voto que a sua consciência lhe pede.

1 - À uma mulher com dificuldades na vida, é a morte do filho que a sociedade oferece?
2 - Liberalizar o aborto torna a sociedade solidária?
3 - A mulher é mais digna, por poder abortar?
4 - Uma sociedade que nega o direito a nascer, respeita os Direitos Humanos?
5 - É maior o direito da mãe a abortar, do que o direito da criança a viver?
6 - Sem razão clínica, abortos são cuidados de saúde?
7 - Concorda que a saúde de outras mulheres fique à espera? (para que o aborto se faça até às 10 semanas)
8 - Aborto "a pedido da mulher". Há filho sem pai?
9 - Quem engravida gera um filho. Mata-se o filho?
10 - É-se mais humano às 10 semanas e 1 dia do que às 10 semanas?
(retirado do Blog do Deputado e membro da Juventude Socialista, Cláudio Anaís)

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Comunidade, é querer ser juntos

Uma comunidade deve ter um projecto, seja ele qual for. Se algumas pessoas decidem viver juntas sem especificar os seus fins, sem explicar o porquê da sua vida em comum depressa haverá conflitos, e tudo desmoronará.

As tensões numa comunidade vêm, muitas vezes, do facto de as pessoas esperarem coisas diferentes e de não o dizerem.

(...) Imagino que se passa a mesma coisa no casamento. Não se trata somente de um homem e de uma mulher quererem viver juntos. Se quiserem continuar juntos, é preciso saber o que querem fazer juntos, o que querem ser juntos.


Jean Vanier A Comunidade, Lugar do Perdão e da Festa,
Edições Paulistas

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Um Inverno sem neve

Antes demais gostava de desejar um Feliz Ano de 2007 a alguém que tenha tido a sorte de passar por este cantinho.

Este ano queria começar por escrever sobre que me começa a preocupar muito seriamente... O aquecimento global do nosso globo azul chamado Terra. Muito se tem falado deste tema desde à alguns anos a esta parte e com mais insistência nos últimos devido ao laçamento do filme "An Inconvenient Truth" baseado no livro com o mesmo nome do antigo candidato à Presidência dos EEUU, Al Gore.

Não é que tenha visto o filme ou lido algo que me tenha alarmado mas simplesmente despertei como de um sono profundo e dei-me conta que é verdade o que andam para aí a dizer e que se calhar não são só profetas da desgraça.

Os que vivem para os lados de Portugal já há muito tempo sentem Verões de derreter à sombra, Invernos com temperaturas apropriadas para ir à Costa da Caparica e Primaveras e Verões que mais parecem início ou fim do Verão. Mas aqui na Polónia, Inverno que não tenha neve é como futebol sem bola ou estudantes a estudar durante as férias, ou seja, é coisa nunca ou raramente vista. A verdade é que estamos em Dezembro e as temparturas continuam nuns confortáveis 6 graus positivos, chuva nem vê-la e muito menos neve.

Não será a altura de abrirmos um bocadinho os olhos e começarmos a ouvir o que o Green Peace, a Quercus e as demais ONG ambientais andam a dizer? Que eles tinham razão já todos sabiam à muito tempo mas só agora começamos a sentir na pele que a desgraça pode não estar a 1 milhão de anos de distância mas a pouco mais de cem anos. Segundo algumas previsões mais... já não sei se hei-de dizer sensacionalistas ou realistas, apontam para subidas drásticas no nível médio das águas do mar nos próximos 10 anos.

Para além das previsiveis mudanças climatéricas que consequências isto poderá trazer na vida do dia-a-dia ao Zé da esquina? Comecei a pensar e cheguei à conclusão que por exemplo a relação entre terra perdida com a subida das àguas e a ganha com com o degelo não sei chegará para compensar. A pergunta é onde vão viver aqueles que à beira mar e no litoral?

Pelo sim pelo não vou tentar seguir um bocadinho mais atenção e zelo as recomendações para poupar energia e àgua potável, reclicar e sempre que possível andar a pé ou de transportes públicos.Uma última questão, Deus deu-nos o mundo para cuidar, será que estamos a fazer um bom serviço?

A propósito, acho que um crente tem responsabilidades acrescidas em preservar o ambiente, afinal esta Terra é propriedade emprestada!


Mt 25,21
O senhor disse-lhe: 'Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de
pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.'

Em comunhão