terça-feira, fevereiro 27, 2007

Onde devemos parar de Amar a Deus?

Em tempo de Quaresma, dentro de mim tem ecoado esta pergunta... qual é o limite para Amar a Deus?

Claro que as perguntas são como as cerejas

Como amar a Deus sem lhe dedicar todo e qualquer minuto? E como não deixar que este Amor a Deus te arrebate num momento mais forte e te faça esquecer o mundo, a mulher, os filhos, a própria vida?

Como conjugar o rame-rame da vida, trabalhando para ganhar a vida, ajudar no orçamento familiar e fazer com que o patrão te dê valor porque contribuis para o credcimento da companhia e ao mesmo tempo querer fazer trabalho social, pastoral e humanitário?

Donde reside o ponto de equilíbrio entre a devoção a Deus e a devoção à nossa cara metade?

Mesmo que a esposa ou esposo sejam, reflexos do Rosto de Deus que devemos amar e dedicar, por inteiro como encontrar o espaço para a vida e o diálogo com Deus?

Tem que haver uma solução... Pedro e muitos dos primeiros apóstolos eram casados...

Em comunhão

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Banquete durante a Quaresma

Alguns amigos que sabem que eu sou católico, têm me perguntado que jejum vou fazer durante esta quaresma. A todos tenho respondido que posso fazer a abstinência de carne nas sextas feiras mas basicamente a minha quaresma vai ser um banquete. Propus-me, juntamente com a minha mulher, a rezar mais e melhor diariamente, pelo menos até à Páscoa. Claro se depois conseguirmos continuar não se vai perder nada.

É também óbvio, que para muitos fundamentalistas, ou melhor, para aqueles que têm uma visão legalista da Igreja, dizem logo que isto não conta ou que é preciso fazer alguma coisa mais visível e que custe. Mas rezar bem e melhor, embora seja um dever de cada cristão, custa e nem sempre é tão natural ou espontâneo.


Pelo menos para mim e para a minha mulher, a preguiça é uma praga que nos invade e entre rezarmos já meio a dormir, decidimos que vamos tentar mudar as coisas. E que altura melhor do quando há um chamamento a voltar ao Senhor?

Não é que estivéssemos propriamente longe mas concerteza andávamos mais de-sintonizados nas ondas curtas do Pai. Tão pouco é propriamente um sacrifício mas é um ponto de esforço que nos reconduz ao Mestre.

Em comunhão

terça-feira, fevereiro 20, 2007

O milagre da multiplicação dos jovens

Enquanto um pouco por toda a Europa, os jovens vão abandonando as Igrejas, atraídos como por magia, na Polónia os jovens vão fazendo pela vida, criando comunidades fortes, presentes e activas na sociedade.

Não me interessa muito falar da Igreja enquanto instituição na Polónia, porque padece dos mesmo defeitos que atinge toda e qualquer hierarquia totalitária e não democrática. No entanto por entre fundamentalismos, abusos e alguma promiscuidade com o poder, a Igreja Polaca têm acompanhado o século XXI com igrejas, seminários e ordens religiosas cheios.

Mas afinal qual é o segredo para os jovens continuarem nas Igrejas? A resposta tem 3 vertentes, o exemplo, a liberdade de expressão da fé e a vivência em comunidade.

O Exemplo:
Apesar de historicamente, a Polónia nunca ter sido um país de tão esmagadora catolicidade e de ter estado muitas vezes ligada às elites, hoje em dia a Igreja polaca têm um prestígio inter-muros inabalável. Muito para isso contribuiu o papel de mediador e de guardiã da identidade polaca durante o regime comunista. Não é raro ver padres condecorados por serviços prestados à Pátria durante os regimes comunista e nazi. Claro que para isto contribuíram duas pessoas concretas que influenciaram dentro e fora da hierarquia, o Papa Karol Wojtiła e o Cardeal Primaz Stefan Wyszyński. Homens com H grande que exercem ainda uma influência que ultrapassa a barreira da presença física e que mesmo sendo parte do clero são vistos pela juventude como exemplos. Claro que esta influência também se faz sentir em muitos padres anónimos internacionalmente mas que ao nível local são autênticos estrelas a imitar. E quando digo estrelas, não o digo no sentido de um Padre Borga, que cantam e que estão a fazer talkshows mas antes num transversalidade social que abrange sectores desde a poesia à ciência política, até apresentador de um programa católico para crianças ao domingo de manhã no equivalente à RTP 1. Por isso, um padre, uma irmã ou uma religiosa não são coitadinhos que não se casaram. São antes pessoas que vivem no dia-a-dia (usando o traje clerical e o hábito) e que dependendo da sua personalidade tem influência maior ou menor.

A Liberdade de Expressão de Fé:
Este ponto pode ser interpretado de duas formas. Por um lado, devido a um passado de liberdade religiosa e mesmo no presente ocupar uma posição dominante, a Igreja Católica permite uma certa liberdade de expressão de fé. Claro está que tal como em Portugal, muitos são católicos porque ser polaco é ser católico, mas um jovem até como forma de se afirmar, pensa na sua fé. Senão acredita não finge, pelo menos é essa a impressão que tenho. Mas também quem acredita também não tem vergonha de o mostrar e de se afirmar como tal.

Um outro prisma em relação à liberdade de expressão de fé, é a forma como essa fé se manifesta. A Igreja é um autêntica amostra das tendências da sociedade. Dos mais tradicionais com missas em Latim, com coros e órgão de tubos aos que dançam, batem palmas e cantam música litúrgica tipo rock todos têm o seu espaço. Basta ouvir um bocadinho da várias rádios católicas para se perceber que os estilos são variadíssimos. São grandes os frutos do Espírito Santo. Do hip hop ao Metal, passando pelas bandas Pop com concertos em estádios cheios ou números 1 no top de vendas, a juventude não se pode queixar da Igreja ser bota de elástico.

Esta liberdade de expressão permite que as pessoas se encontrem e integrem mais facilmente e dando à hierarquia uma liberdade para manter um mão firme na moral e no catecismo.

A vivência em Comunidade:
Chegamos ao último ponto a vivência da fé em comunidade, que resume e enquadra os outros dois. Comunidades fortes só se constroem com exemplos vivos. Com padres que apesar de alguns maus exemplos de autoritarismo, se convencem e se abrem à presença dos leigos. Com padres que são vistos como referências e exemplos fortes mas que também dão espaço aos jovens.

A comunidade fortalece-se com a vivência e partilha de gestos que não são impostos por tendência de gosto pessoal e individual. Com a descoberta e fortalecimento de novas formas de expressar fé, há também um renovamento geracional e por sua vez permite que se vá à Igreja não só por uma questão de obrigação mas também porque se vai encontrar amigos, ter grupo de jovens, exposições, concertos de música, debates e por aí fora.

A Igreja é uma comunidade viva, que cresce e se multiplica. Tudo o que vive atrai as gerações mais jovens. Na Polónia, como vi por exemplo em Taizé, Cristo está na rua e nos outros e não somente fechado no Sacrário e que aparece aos Domingos, Casamentos e Baptizados.

O milagre da multiplicação dos jovens é Cristo! Ou melhor é a vivência de Cristo nas nossas vidas, ouvindo e aprendendo com quem sabe mais, discutindo e propondo nos locais certos, viver a expressão da nossa fé individual na vivência concreta com os outros.

Em comunhão

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O dia depois...

Depois da vindima há que lavar os cestos...

O resultado do referendo demonstra antes de tudo, que uma grande fatia da população não reconhece valor à democracia. Só assim é explicado o elevado número de abstencionistas. Como é possível que mais de 50% da população não se importe com as decisões que outros vão tomar por si? Algo vai mal e continuará mal no reino Lusitano.

Quanto aos resultados da votação, creio que existem várias conclusões que podem servir de ponto de reflexão para a Igreja e para sociedade.

A vitória do Sim demonstra à Igreja que não é pela a autoridade que se vai conseguir passar melhor a mensagem. Apelos à excomunhão não são argumentos que ainda tenham força. O direito canónico e o catecismo são fracos argumentos. Perdeu-se a oportunidade de demonstrar, que sim a Igreja é contra o aborto mas que não abandonará nunca as suas ovelhas.

Demonstra também que há um divórcio cada vez mais visível entre baptizados e a prática cristã. Há que procurar novos caminhos de evangelização que envolvam mais o diálogo do que a imposição. Há urgência de resgatar o diálogo com os leigos e principalmente com a juventude.

Por fim este resultado não é uma derrota particular da Igreja mas oportunidade de reflexão e de procurar novos caminhos. A Igreja não pode impor mas propor e explicar. A Igreja considera o aborto um acto mau, mas não lhe cabe a ela legislar. Enquanto cristãos temos o dever de continuar a passar essa mensagem, com ou sem aborto liberalizado. Hoje mais que ontem, há uma necessidade de promover movimentos e instituições que apoiem mulheres que queiram abortar e mostrar-lhes que há outros caminhos.

Ainda dois pontos muito importantes, de que já falei muitas vezes e que se ignora outras tantas. Há uma necessidade urgente de coerência dentro da moral sexual da Igreja. Se se é contra o aborto não se pode ser também contra a contracepção seja ela qual for, comportamental ou química. Se se quer que as pessoas vivam uma vida sexual saudável e responsável há que valorizar essa sexualidade e "limpar-lhe" essas conexões com pecado. O prazer não é mau, mau é ser escravo do prazer.

Por fim aos apoiantes do sim. Parabéns porque a mensagem que fizeram passar foi mais convincente. Continuo como antes sem provas convincentes que o aborto vai diminuir já que todos somos contra a esta prática. Continuo sem provas como a liberalização vai influenciar os portugueses a um planeamento familiar e acesso a contracepção. Mas é assim em democracia, umas vezes o nosso ponto de vista ganha, outras não.

Pela minha parte, o referendo serviu-me como estímulo para me empenhar ainda mais dentro da Igreja e por fazer uma sociedade melhor.

Em comunhão