terça-feira, março 27, 2007

Querer e Dever

Existe em todos nós uma constante tensão entre o dever e o querer.

Muitas vezes fazemos o que queremos e não o que devemos. Outras tantas acontece o revés. Já dizia S. Paulo:
É que não é o bem que eu quero que faço, mas o mal que eu não quero, isso é que pratico
No entanto quando querer e dever estão juntos são como as duas mãos de um oleiro que trabalham em conjunto para darem forma ao barro informe.

Desde sempre que o Cristão teve deveres. A Lei de Moisés, as cartas de Paulo, o Didaque, tudo eram compilações de um dever cristão, estando neste dever a essência que o afirmava pela positiva.

Durante muitissimos séculos, demasiados podemos ter a certeza, oprimidos por senhores, tiranos
e submersos na a luta da sobrevivência diária havia pouco espaço para perguntar se no Catolicismo existeria espaço para quereres.

Muitos quiseram fazer acreditar que não. Condenaram a liberdade de expressão, o livre pensamento, a separação do Estado da Igreja, a emancipação da mulher e da ciência e igualdade entre os homens. Impigiram a sua infabilidade e superioridade e elegeram como modelo não Aquele que sublinhou a conjungação do dever com o querer mas Aquela que só olhava ao dever... ao pelo menos assim A quiseram pintar.

Assim esta tensão entre querer e dever, foi-se arrastando como algo doloroso e em que uma minoria iludia a manada de que assim tinha que ser, porque Ele cumpriu o seu dever... mas esqueciam-se de dizer que nEle existia um querer, um querer dar a vida pelos que mais amou.

Muitos continuam, ainda hoje, a insistir no seguidismo, na obediência pela força, no dever porque é assim, sem espaços para querer. E se mesmo durante esse séculos de medo feito apenas de deveres, haviam fontes de tensão que questionavam essa ordem estabelecida e que convenientemente eram calados ou exomungados, hoje mais do que nunca se necessita explicar os deveres de um Cristão e voltar a afirmar o cristianismo como um querer aliado ao dever.

O homem e a mulher de hoje em dia, fruto da história e da evolução da sociedade não se pode contentar com um grande "Porque o Papa disse" ou um "É pecado porque sim". Basta! Senhor vem em nosso auxílio!

Sim senhor, a fiedeliade no matrimónio é necessária. Mas é-lo não porque se deve ser fiel porque sim, mas porque só sendo fiel se encontra e realiza o dever de amar o próximo na sua plenitude.

Sim senhor a virgindade é algo importante. Mas é-lo não porque aquela pedacinho de carne é sagrada ou um dever, mas porque só nesse querer guardar algo para alguém, se consegue encontrar o dever de ser mais para os outros.

Na idade da razão, no sentido de maturidade e não num sentido de racionalidade, também a fé e as suas hierarquias deveriam estar à altura e apresentar as suas razões e estar preparada para ouvir um redondo "NÃO!" e assumiram uma necessidade de ajuda quer da sociedade quer dos que lhe estão confiados, numa reflexão que se quer continua.

Até quando se irá continuar a tratar um católico como uma criança irresponsável que necessita constantemente a ouvir "Nao faças isto!"? Para quando o definitivo voto de confiança ao laicado e ao Espírito Santo?

Se a Hierarquia é o dever e o Povo o querer, anda vamos longe de conseguir fazer do barro das nossas vidas, peças dignas de uma criança de 4 anos.

Há urgência de o dever e o querer pararem para se ouvirem e seguir adiante.

Em comunhão

sexta-feira, março 16, 2007

Missa Tridentina - tendência estética ou a busca do poder perdido?

A propósito da exortação apostólica tem surgido algumas vozes que se levantam a favor outras contra. É normal na nossa sociedade democrática. No entanto há quem insista em fazer crer que vivemos uma crise por causa do Concílio Vaticano II e insiste por isso em querer voltar ao rito que se celebrava antes do Concílio. Mas afinal o que leva algumas pessoas a quererem missa em Latim e com o padre de costas?

A meu ver querer a missa Tridentina de volta só se pode encontrar resposta utilizando um destes dois pressupostos; ou é uma tendência estética ou se querer reavivar as práticas pré-conciliares.


Começamos pela primeira. É justo que haja pessoas que se sintam mais inclinadas a escolher esta ou aquela missa por um ou mais factores. Porque o padre ali fala melhor, porque o coro aqui é mais do meu agrado do que ali, porque aqui se celebra em Latim, porque esta igreja é mais bonita e por aí fora.

Tudo isto são razões do fórum intimo, subjectivo e estético, em que nossa escolha e preferência é o factor determinante. Nada tenho a opor. Quem fala da missa Tridentina por estes factores tem todo meu respeito. Se me disserem que se sentem mais com Deus desta forma, mais perto do sagrado com rito é uma escolha que respeito. Eu próprio prefiro rezar a missa como em Taizé.

O problema é quando para fazer essa escolha se utiliza a comparação pela negativa e usando como argumento da escolha, as faltas. Se o argumento da escolha se baseia num factor regulamentar, porque este rito é mais válido que aquele, porque só se cantando ou se falando de um certo modo se está mais perto de Deus e da liturgia certa, há algo mais que está por detrás deste querer reavivar um rito.

Aqui está subjacente uma visão da nossa Igreja que se quer impor demonstrando abusos localizados para justificar o retorno à Missa Tridentina.

E que abusos são esses?

- Padres que se recusam a dar comunhão na boca. Numa missa tridentina alguém me dará comunhão na mão?

- Padres que se sentam e não distribuem a comunhão. Será que haverá algum leigo que poderá distribuir a comunhão na missa Tridentina?

- Padres que mandam levantar quem se ajoelha. Será que na missa tridentina alguém poderá comungar sem se ajoelhar?

Depois temos razões que nada tem a ver com o rito e que são reveladores que a real intenção está no regressar a uma Igreja pré conciliar. Uma razão que se refere à pressa e pouco cuidado da missa. Isto é um problema disciplinar. Não liturgico. Uma missa tridentina pode demorar 3 horas ou 20 minutos. Depois esta razão fantástica dos padres não terem tempo para confessar.

O que é que isto tem a ver com o rito?

Baixem-se as mascaras. Que se digna abertamente que a Missa Tridentina é ponta de lança dos Lefbvristas, Monfortistas e demais Tradicionalistas. Que se quer acabar com diálogo ecuménico, com o diálogo inter-religioso, com a igualdade dos sexos, com a crescente importancia dos leigos e dos ministerios e movimentos nao celibatarios.

Por detrás de um discurso de pluralidade, de liberdade escolha está a sua negação, a sua supressão. Está o querer exaltar do celibatário, da repressão da sexualidade, a apologia do sacrificio, o marianismo exarcebado, a estupidificação do leigo e a idolatração dos eleitos.

No fundo o que se quer é fechar a Janela que João XXIII abriu ao mundo.

Em comunhão

A Voz da Igreja

A voz da Igreja não é abafada mas simplesmente ignorada.

A voz da Igreja tem que ser a voz de todos os crentes e não a voz da hierarquia que não ouve os clamores do seu povo.

A voz da Igreja, mesmo podendo ser a do solista principal, tem que cantar afinada com o coro e com a orquestra senão acabará a cantar sozinha.

A voz da Igreja está cheia de interferências vindas de dentro, com defeito de emissão técnica.

A voz da Igreja deve ser proclamada dos telhados, não aos gritos e com ameaças.

A voz da Igreja tem que ser a nossa voz, aquela que ouve a voz dos seus antes de ditar e debitar decretos.

A voz da igreja deveria ser a do diálogo, não a das verdades feitas, dos dogmas e das condenações.

A voz da Igreja deveria ser a voz dos que suplicam e não dos quem mandam e oprimem.

A voz da Igreja deveria ser a do Pai que acolhe o filho pródigo e não a do irmão invejoso.

Em comunhão

quarta-feira, março 14, 2007

Exortações Apostólicas Spam

A propósito desta última exortação apostólica do Papa.

Com estes temas que só afastam as pessoas ninguém vai querer ler estes documentos.

Será, ou melhor... já é como os chamados chain-emails. Como dizem sempre a mesma coisa já ninguém se quer se dá ao trabalho de ler e muitas vezes apaga antes de sequer abrir para ver o que é.

Muitas vezes ficam presos nos filtros de SPAM por conteúdos duvidosos e pouco recomendáveis.

Não querendo ir longe demais muitas cartas são SPAM indesejado que ninguém se interessa porque não fazem parte da vida real.

Porque não recebemos em vez de exortações, convites ou propostas. Que se sinta a amizade de um pai ou de um amigo.

Quando recebemos uma carta de um amigo que nos ouve e compreende quem consegue ignorar e não ler essa carta?

Em comunhão

segunda-feira, março 12, 2007

Ryba po Grecku

Como "bom" país católico, na Polónia às sextas-feiras, principalmente nas da Quaresma, são "comidas" sem peixe. O título deste post em polaco quer dizer peixe à Grega. Bastante saboroso e não sendo um prato caro tem muito pouco de frugal e simples.

Mas afinal o que é se quer da Quaresma? Se não for comer carne, acho que os vegetarianos nos ganham aos pontos porque passam anos sem darem uma dentadinha num bom de um bife a cavalo.

Antes demais, o tempo de Quaresma é um tempo de voltar ao essencial, de abrandar o ritmo até que paramos totalmente durante o Tridium Pascal.

Por isso no início da Quaresma se chama os Fiéis a voltarem ao Senhor, se voltarem a centrar em Deus. Deixar de comer carne, ou fumar ou comer chocolates, só tem sentido se for num movimento que aponta para Deus. Como se fossemos uma bateria, necessitamos deste tempo para nos recarregarmos, para nos enchermos de energia para dedicarmos e dar-mos aos outros.

Cristo é Fonte da água viva e não fonte de dores e sacrifícios.


Mal estamos nós se só durante a Quaresma fazemos alguma mortificação ou poupamos um bocadinho. Como diz um padre que eu conheço:

"Durante a Quaresma todos deixam de fumar ou de beber! Só o coração não muda e vem o Domingo de Páscoa e volta tudo ao mesmo!"

Pergunto eu, onde está o Homem Novo nisto? Se se fizer jejum que seja por amor a Deus, para nos lembrarmos mais dEle. Mas que venham frutos daí.

Por isso podemos passar muitas sextas-feira a não comer carne, jejuns de pão e água, se temos pobres na rua que nunca comem carne, crianças que passam um dia inteiro que nem pão comem e não têm água potável, não nos serve de nada


Há um Cardeal alemão que propôs que a renuncia quaresmal fosse não andar de carro. Acho uma boa ideia... Faz bem à saúde da pessoa e dos outros. Para além disso se enquanto caminha, encontrar um pouco de silencio para rezar a Deus, melhor ainda!

Quem sou eu para julgar uma pessoa que jejua? Mas quem me diz que a pessoa ao lado, que não o faz na carne, nos cigarros ou nos chocolates, não está a jejuar, a voltar a Deus de uma forma muito mais concreta e permanente através da oração e de conversão interior?

Em comunhão

sexta-feira, março 09, 2007

III Domingo da Quaresma

Desafiado por um bom e grande amigo, decidi tentar comentar o evangelho dominical. Desde já assumo a minha debilidade teológica e que isto é uma visão muito pessoal.

Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos Galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses Galileus eram mais pecadores do que todos os outros Galileus? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpadosdo que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante. Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’ Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».

Ler esta passagem do Evangelho é como encontrar os diversos caminhos que se podem percorrer dentro da Fé. Podemos ter uma atitude repleta de medo e temor do castigo divino que nos conduz a um caminho de desespero e/ou de fundamentalismo na fé. Podemos ter por outro lado uma posição de negação e revolta perante as palavras que à primeira vista podem parecer duras e sem humanidade e que nos podem conduzir ao outro lado do fundamentalismo, o ateísmo. E por fim podemos ter uma atitude expectante e de atenção, em que pela persistência podemos ver onde reside a esperança que nos conduz à paz interior.Todos nós fazendo uma abordagem muito pela rama e centrando-nos na aparência podemos desesperar com as palavras desta passagem do Evangelho. Não se ouve uma palavra de carinho, de conforto ou de compreensão com as pobre almas que morreram esmagadas pela dita torre ou imolados às ordens de um déspota. Ouvimos pelo contrário que aqueles que morreram em nada eram piores a nós e que se não nos arrependemos o nosso destino será pouco diferente. Como a árvore que não dá fruto ou mudamos ou vamos ser feitos em cavacos e lenhos para o fogo. Esta uma visão muito comum que temos de Deus. Um Deus que nos julga pelas nossas acções, que de uma forma calculista, desprezando o individuo e o caminho de cada um, julgando com o catecismo numa mão, o Direito canónico na outra espera um erro para nos condenar. Um Deus juiz, que colhe onde não planta, que entrega sempre na esperança do lucro, da eficácia, de sermos perfeitos e imaculados. Um Deus que nos esmaga que nem a Torre ou oprime à laia de um Tirano e que nos conduz ao desespero de nos sentirmos impotentes e já condenados.

Uma releitura desta passagem e uma consequente interpretação pode levar-nos à revolta e à indignação. Onde estava Deus para evitar que aqueles que eram inocentes ou no mínimo menos culpados que nós, não morressem daquela maneira? Quem é este Deus que fala tanto de misericórdia e de perdão mas que não se coíbe de friamente de utilizar esta tragédia para nos acusar mais uma vez? Quem precisa de um Deus que nos persegue, que não se compadece com a nossa fraqueza e fragilidade? Este é o outro lado da moeda, o de nos revoltarmos contra Deus e apontarmos-lhe o dedo e julgá-lo como fonte de todas as nossas desgraças. Um Deus que mais temos vontade de combater e denunciar do que propriamente amar e chamar de Pai. Esta revolta faz-nos sentir que nos temos que libertar que pelas nossas próprias capacidades e talentos. Que vamos conseguir triunfar e ser a Árvore mais frutuosa. Que vamos conseguir evitar todas as tragédias e injustiças, que vamos ser nós próprios Deuses, melhores e mais perfeitos

É só como quem equilibra uma moeda a custo de muitas tentativas ou como o vinhateiro que mais uma vez retoma o trabalho e tenta mais uma vez, conseguimos encontrar a luz nesta passagem. Uma luz que sendo ténue e que como vimos muitas vezes passa despercebida, mas ainda sim a luz que mais brilha na nossa escuridão. Essa Luz está no vinhateiro, que é o próprio Cristo. Podemos levar a pensar que Deus é o Senhor que vem cobrar a dívida, mas enganamos-nos. Deus é o vinhateiro que nos resgata mais um ano, mais uma oportunidade. Cristo é aquele que nos ajuda a cada um de nós individualmente. Dando-nos tempo e alimento para crescermos, para sermos mais Homens, para darmos mais fruto. À laia de desafio, Cristo, que já nos tinha dito antes que os mortos tratem dos mortos e utilizando uma tragédia, aponta de novo para nós o caminha da Salvação dando uma mais chance de aprendermos. Como nós, também os apóstolos devem ter ficado confundidos com a aparente frieza mas conhecendo melhor Jesus, sabemos que provavelmente Ele deve ter chorado aquelas almas, quem sabe foi visitar os familiares da vítimas prestando consolo e conforto.

Acima de tudo o que podemos tirar desta leitura é que nós somos a Árvore. Não uma Árvore que está destinada a ser cortada e deitada fora, mas uma árvore que está aos cuidados do próprio Cristo. É Ele que independentemente da nossa fragilidade, da nossa falta de produtividade e eficácia, continua a acreditar em nós. Não é pelos nossos méritos ou esforço que nos salvamos mas pela Sua graça e misericórdia.

Neste tempo da Quaresma é aqui neste mistério que nos temos que re-centrar, Cristo nasceu, viveu, morreu e ressuscitou, por nós.

Em comunhão

quinta-feira, março 08, 2007

Um Deus Chamado Abba


Este é um daqueles livros que se lê num fôlego, por entre frases curtas e muitas tiras de banda desenhada.

Apesar da obra de José Luis Cortés no original (em
Espanhol) ser bastante grande, em português temos só dois livros. Este de que vos escrevo agora, editado pela Estrela Polar e um outro que não recomendo pela péssima tradução.

Jose Luis Cortes é um verdadeiro campeão da evangelização pela imagem e tem influenciado milhares de pessoas através dos seus desenhos. No entanto o seu nome continua impressionantemente desconhecido do grande público.

Tive a sorte de já ter lido grande parte da sua obra em espanhol por isso posso dizer-lhes que não sendo o seu melhor livro é pelo menos diferente e consegue-nos pôr a pensar. Tem alguns textos mais polémicos, e provavelmente por isso, não tem a chancela de uma editora cristã que lhe ficaria muito melhor.


É uma pena, porque para além do talento e humor que se pode encontrar ao longo das 209 páginas, há temas e reflexões que poderiam servir de tema para longas discussões em pequenos grupos.

Recomendo pois com um bom 9/10 principalmente por ser o único livro dele em Português.

Pede-se o resto da colecção do autor traduzida para Português.

Em comunhão

terça-feira, março 06, 2007

Porquê escolher um método natural de contracepção

Já ando à uns tempos para escrever isto. Muitas pessoas me têm perguntado porquê escolher um método natural de contracepção. Encontrei agora uma resposta-imagem.

Escolher um método natural, é como decidir ir de bicicleta para o trabalho, é menos eficiente, demora mais tempo que ir de carro mas muito mais rápido do que se formos de patins ou a pé e faz melhor à saúde e ao ambiente.

Escolher um método natural é como inscrever um filho deficiente numa escola normal. Está-se mais sujeito a certos riscos mas com mais empenho e boa vontade os resultados são bastantes satisfatórios mesmo sabendo que nunca serão excelentes.

Escolher um método natural é como uma criança que em vez de usar a máquina calculdora para fazer a tabuada utiliza a memória e o cálculo. É menos rápido e eficiente, com um periodo de treino e aprendizagem mas a longo prazo os frutos são maiores.

Escolher um método natural é como escolher tudo o que seja natural em vez de artificial e químico para o nosso bem estar. É como escolher a agricultura biológica em vez da agricultura de massa, tomar sumos de fruta e comer legumes em vez tomar comprimidos de vitaminas.

Escolher um método natural é como ir passar uma semana a Taizé em vez de ir passar uma semana no algarve. Não te resolve os problemas da vida, não te torna nem mais eficaz, nem mais rápido ou eficiente mas corres o risco de te vires a tornar melhor pessoa e mais aberto ao outro.

Em comunhão

Quando acreditar desafia a gravidade...

Muitas vezes, acreditar é fechar os olhos e fazer-se de tontinho ou pelo menos assim me sinto quando oiço e leio alguns documentos da Hierarquia.

Andamos, muitos católicos e não católicos, à espera da chamada abertura da Igreja a novos ventos que soprem do alto do Vaticano. E vamos esperando... uns por meia dúzia de documentos que nos aproximem mais das outras Igrejas, outros de cartas pastorais ou encíclicas que enfrentem os novos desafios da sociedade, outros ainda por aquela palavra que vai finalmente reconciliar a moral sexual da Igreja Hierarquia com a do povo da Igreja.

E o tempo vai passando, e muito de nós, que nem bons sportinguistas, vamos esfregando as mãos e dizendo que está quase, que desta é que é e que agora é o momento. E depois? A montanha pariu um rato... nada, mais do mesmo. Parece que os ventos do Concílio Vaticano II continuam ainda dentro de túneis de vento.

Falou-se tanto da revisão do celibato dos padres e depois nada mudou e ainda se reafirma que vai continuar assim. Não que o celibato seja a culpa da falta das vocações mas ajuda para esta imagem de resistência na imobilidade.

Depois o diálogo ecuménico, que com o Bento XVI é que vai andar para a frente... Os anglicanos que são aqueles que com mais podemos ter em comum, dá-se uma no cravo e outra na ferradura. Diz-se que há planos para a comunhão total mas e ao mesmo tempo diz-se que há ainda muita coisa a separar-nos. É como dizer, se a minha avô tivesse rodas era uma BMW.

Agora ouve-se que finalmente o Vaticano está a rever a sua posição sobre a contracepção. Ainda não saiu nada mas com certeza será uma daqueles bonitos documentos com palavras de saudação complicadas mas que ficam sempre bem mas que nunca ninguém diz na vida real. Estará cheio de referências bíblicas e a textos dos padres do deserto e dos diversos concílios mas que tirando os mais interessados em teologia, nunca ninguém leu. Sem dúvida terá uma reafirmação que os leigos são chamados à santidade e participar na vida da Igreja e que o casamento e a família são as células fundamentais da Igreja. Mas no fim tudo se resumirá a um redondo não. Não ao preservativo, não à pílula anti-contraceptiva, não, não e mais um não!Falta o Papa mostrar com actos o que disse um dia que o Catolicismo não é uma religião de proibições.

E pronto, voltaremos todos a viver neste constante desafio da gravidade. Vivendo uma coisa, pregando outra e professando a fé numa outra coisa totalmente diferente!

O bom de ser Cristão é que vivemos sempre na esperança.

Em comunhão

segunda-feira, março 05, 2007

Inconveniente mas Verdade

Estou preocupado... muito preocupado mesmo.

Foi como se tivesse levado sem preparação ou razão, um murro no estômago do meu melhor amigo e tivesse ficado preso no tempo, naquele momento em que o ar falta, os olhos se cruzam na indignação e surpresa e o cérebro procura o que fazer desesperado e sem reacção.

Vi este fim de semana o filme Uma Verdade Inconveniente. Esta verdade não é inconveniente, pelo menos assim penso se queremos mudar o rumo das coisas, ou se o é, é-lo para aqueles que mais têm a perder com as mudanças, as companhias americanas e as petrolíferas. É no entanto uma verdade que têm que ser divulgada o mais depressa e claro possível.

Já não há como ignorar ou fingir que não é nada connosco, que só daqui a uns milhares de anos poderemos afectar realmente o equilíbrio planetário e/ou (esta desculpa eu ainda tento utilizar inconscientemente) sou demasiado pequeno para fazer ou mudar alguma coisa.

Podemos por começar e ver o filme! Se possível em família, com amigos e conhecidos. Quantas mais formos a percebermos o que se passa de verdade mais atenção os média vão pôr no assunto e as mais as companhias se sentirão pressionadas a mudar alguma coisa.

Entretanto e para aqueles que ainda não leram, têm aqui algumas recomendações básicas e em que podemos ajudar.

01 - Mudar uma lâmpada - substituir uma lâmpada normal por uma lâmpada florescente poupa 68 Kg de carbono por ano;

02 - Conduzir menos - caminhar, andar de bicicleta, partilhar o carro ou usar os transportes públicos com mais frequência. Poupará 0,5 Kg de dióxido de carbono por cada 1,5 Km que não conduzir!

03 - Reciclar mais - pode poupar 1.000 Kg de dióxido de carbono por ano reciclando apenas metade do seu desperdício caseiro;

04 - Verificar os pneus - manter os pneus do carro devidamente calibrados pode melhorar o consumo de combustível em mais de 3 %. Cada 4 litros de combustível poupado retira 9 Kg de dióxido de carbono da atmosfera!

05 - Usar menos água quente - aquecer a água consome imensa energia. Usar menos água quente instalando um chuveiro de baixa pressão poupará 160 Kg de CO2 por ano e lavar a roupa em água fria ou morna poupa 230 Kg por ano;

06 - Evitar produtos com muita embalagem - pode poupar 545 Kg de dióxido de carbono se reduzir o lixo em 10 %;

07 - Ajustar o termostato - acertar o termostato apenas dois graus para baixo no Inverno e dois graus para cima no Verão pode poupar cerca de 900 Kg de dióxido de carbono por ano;~

08 - Plantar uma árvore - uma única árvore absorve uma tonelada de dióxido de carbono durante a sua vida;

09 - Seja parte da solução - aprenda mais e torne-se activo em www.climatecrisis.net

10 - Espalhe a mensagem! - incentive os amigos a ver "Uma Verdade Inconveniente"

Uma nota pessoal, se fizerem isto é como deixarem de fumar, não só estão a fazer a vocês mesmos e a quem vos rodeia mas também vão poupar $$$.

Em comunhão