quarta-feira, setembro 30, 2009

O “apartidarismo” Cristão

Desde que descobri o Windows Live Writer, que comecei a escrever vários posts que não chego a terminar por variadíssimas razões. Isto permite-me voltar a algum que me falhou a inspiração ou tempo mas também me permite rever e corrigir algumas coisas.

Assim comecei a escrever este texto antes das eleições e pensei arquivá-lo mas a verdade é que entendo que mais que nunca, há uma necessidade real de compreender o que é o apartidarismo cristão.

Muitas vezes ouvimos slogans que afirmam que um cristão não pode ser deste ou daquele partido político ou que pura e simplesmente um cristão empenhado na vida da Igreja não se deveria envolver nestas coisas política.

Qualquer destas coisas tem o seu lado de verdade e o seu lado de mentira.

Sim há partidos que vão contra a moral cristã, não por serem de esquerda ou por serem de direita mas simplesmente porque a sua forma de acção e a sua carta princípios são antagónicos à essência mais essencial de ser cristão. Assim, não há forma de conciliar um comunismo revolucionário com a filosofia cristã. Tão pouco é coerente ser-se católico e defender um partido nacionalista ou fascista.

Resumindo todo e qualquer regime autoritário e que esteja nas antípodas da democracia é contrário ao ser-se cristão. Ainda que restringindo as opções políticas dos cristãos é não só moralmente bom mas como também deveria ser recomendável que os cristãos em geral, e os católicos em particular, participem e sejam parte activa das restantes forças políticas à direita e à esquerda.

Por outro lado, um cristão empenhado na vida Igreja deve participar como se viu no parágrafo anterior, desde que não acumule cargos de relevo e responsabilidade dentro da estrutura da Igreja. Um diácono vereador de câmara ou um bispo presidente da república é, no meu entender, moralmente reprensível e não deveria nunca ser aceite quer pelas autoridades civis quer pelas eclesiásticas.

A razão pode ser encontrada nas duas faces de uma só realidade, interesses civis na Igreja e interesses eclesiásticos na sociedade civil.

A Igreja, enquanto comunidade universal, tem e deve ser independente do poder temporal. A hierarquia da Igreja tem sempre que estar na oposição independentemente de quem está ou de como se governa. Não numa oposição que critica visando defender agendas e interesses pessoais, mas tendo em vista uma melhoria da sociedade colaborando e participando no plano divino para construir um mundo melhor.

Obviamente que que esta opisição deve ser feita num contexto dialogante, onde a Igreja terá que obrigatóriamente respeitar a voz da maioria e também aceitar um papel de co-educador social.

Por outro lado, e como é óbvio a sociedade civil vai sempre ter crentes nas posições de mais responsabilidade e relevo governativas, subsídios de estado para as diversas religiões bem como ver os seus mais altos representantes participarem enquanto pessoas individuais e também enquato estaditas, em actividades e manifestações religiosas. No entanto estas pessoas nunca devem representar, previligiar ou defender os interesses desta ou daquela religião em detrimento de outras, mesmo que essas sejam minoritárias.

Pelo que foi dito se pode compreender que a Igreja, na sua hierarquia, tem que ser apartidária. A Igreja deve não só permitir mas até recomendar e exortar os seus fiéis a fazerem parate dos vários quadrantes políticos. A Igreja deve se abster de previligiar ou promover qualquer partido político. A Igreja deve denunciar e condenar moralmente todo o qualquer partido político

Assim enquanto comunidade, os católicos são apartidários e aclubisticos mas enquanto pessoa individual que é católica faz sentido ser-se democrático e participar activamente na democracia.

Em comunhão

sexta-feira, setembro 25, 2009

Forrest Gump - Alan Silvestri





Bom fim de semana!

Declaração de voto

Este domingo vou votar desiludido com a nossa classe política mas com esperança que um dia as coisas possam ser melhores. Vou votar com a consciência de que o meu voto pode não fazer a diferença e pode ser apenas uma gota no oceano de conformismo em que nos vimos engolados, mas ainda assim vou fazer a minha obrigação enquanto cidadão.

Por natureza inclino as minhas preferências para os temas sociais em detrimento dos de cariz económico pois acredito que a economia é precisa mais de ser moralizada do que regulada e controlada. Como católico que sou, sinto também uma urgente necessidade de justiça social acreditando que esta é alcançada através da criação de mecanismos nas pessoas e não atribuindo rendimentos imerecidos que cria um exército de inúteis e preguiçosos. Por fim o meu lado humanista faz-me acreditar que todo o ser humano é igual e livre mas recuso liminarmente que essa liberdade seja desfigurada, transformada em libertinagem e que seja motivo de desordem e caos social.

Creio por isso que o meu percurso nas minhas intenções de voto não será muito diferente de muitas pessoas que conheço.

Aos 18 anos, votei PS, porque me sentia reprimido pelo cizentismo burucrático do então Primeiro Ministro Cavaco Silva.

Nas eleições seguintes, apesar de não totalmente desiludido com o Dr Guterres, pensei que fosse uma injecção de vigor democrático ter uma voz diferente e votei no Bloco de Esquerda. Penso que nunca me hei-de perdoar por tamanha inocência e falta de visão política.

Depois votei Durão Barroso acreditando que um pouco de inovação de alguém que tinha passado tempo no estrangeiro pudesse fazer a diferença. A verdade é que não tive a oportunidade de ver se tinha razão ou não, mas abandonar o barco no meio da tempestade revela o carácter cobarde e mercenário do capitão.

Acreditei que o Santana Lopes conseguisse trazer uma lufada de ar fresco à bafienta sociedade portuguesa mas a classe política não aceita que se pense diferente e com audácia e desde o início que se viu o governo de Santana como um balão condenado a subir demasiado alto e implotar.

Por fim nas últimas eleições legislativas decidi votar branco e fazer uma declaração de insatisfação com a generalidade da nossa classe política com o meu voto.

O meu desencanto era tanto, que pensei em nunca mais votar. Mas nas últimas eleições europeias descobri que a Laurinda Alves, jornalista que admiro muito desde os tempos da XIS, ia concorrer pelo Movimento Esperança Portugal, o MEP. Muito sem saber qual era o programa, acreditei na pessoa e votei um pouco às escuras.

Desta vez informei-me melhor e até fiquei indeciso entre votar MEP ou Movimento Mérito e Sociedade, o MMS. Ambos os movimentos apresentam ideias com que me identifico mas na hora de escolher optei por aquele que achei que tem um bocadinho mais de chances de pôr alguém no parlamento e ser uma voz diferente… uma voz no deserto que é a nossa classe política.

Não sei se eles vão fazer melhor dos que já lá estáo, mas pior, de certeza que não farão. Fica aqui um texto que me ajudou a mudar o meu sentido de voto de branco para MEP:

10 Razões para votar MEP:

1. Portugal precisa de uma voz que defenda a política da Esperança, acreditando que, se fizermos por isso, “melhor é possível”.
O MEP será essa voz.

2. Portugal precisa que os seus cidadãos se mobilizem para os desafios difíceis do nosso tempo, sem desistência, nem lamúria.
O MEP impulsionará essa mobilização.

3. Portugal tem grandes desafios à sua frente para reforçar a justiça social e promover a coesão.
O MEP assumirá esses desafios.

4. Portugal precisa, no seu sistema político, de uma nova força que traga uma visão positiva e optimista, de quem acredita nas portuguesas e nos portugueses.
O MEP será essa força.

5. Portugal precisa de cuidar do seu futuro, promovendo as famílias, dando prioridade às suas crianças e jovens, bem como respeitando o seu passado, através da cidadania plena dos seniores.
O MEP cuidará do futuro e respeitará o passado.

6. Portugal exige uma nova atitude que una em vez de separar, que dialogue em vez de ofender, que construa em vez de destruir.
O MEP protagonizará essa atitude.

7. Portugal necessita de abrir espaço à participação de cada um de nós, para uma democracia mais próxima do cidadão.
O MEP será uma das vias.

8. Portugal num mundo global e interdependente, precisa de quem afirme a nossa vocação cosmopolita e de quem defenda a solidariedade como princípio de convívio dos povos e nações.
O MEP será esse protagonista.

9. Portugal precisa que novas pessoas se disponibilizem para servir o bem comum através da política. Pessoas comuns, como qualquer um de nós.
O MEP trará essas pessoas.

10. Portugal necessita de mais protagonistas políticos que só defendam o bem comum e não se prendam a interesses particulares.
O MEP defenderá esse caminho.

No domingo vamos dar voz ao nosso descontentamento e supreender o país. Que se lixe o útil, vamos votar com esperança na mudança.

Independetemente do que votem, não se esqueçam de ir votar.

 

quinta-feira, setembro 24, 2009

O Império contra ataca

O Padre Gonçalo continua a insistir na sua vertente de engraçadinho sem ter graça nenhuma. Desta vez enviou uma carta de agradecimento à direcção do Público. Em itálico segue o texto original e abaixo o meu comentário

 1. Agradeço à direcção do PÚBLICO a gentileza de ter dado à estampa dois textos da minha autoria, dando assim um corajoso exemplo da liberdade e do pluralismo de opinião desta publicação. Agradeço também aos muitos leitores que me felicitaram por motivo destes artigos, bem como aos que manifestaram a sua discordância e que igualmente merecem toda a minha estima e consideração. Bem hajam!
Caro Padre Gonçalo, os jornais portugueses têm por norma publicar as cartas que os seus leitores lhe escrevem. Não é que o senhor director do Público se lembrou pura e simplesmente de procurar um texto da sua autoria e disse: “Vamos lá mostrar estes textos convincentes e cheios de humor refinado.”

Embora não veja onde está a coragem de publicar na secção de cartas um artigo de um padre católico, concordo consigo que esta jornal prima pela liberdade e pluralismo de opinião. No entanto gostava de lhe pedir que explicasse melhor qual é a sua opinião sobre a educação sexual, mas desta vez sem recurso ao humor. É que no texto sobre a gripe A eu percebi que a mensagem que queria passar era a do excesso de zelo um pouco injustificado até ao momento. No entanto no texto sobre a educação sexual, desculpa a insistência mas é que não descortino nenhuma opinião para além de uma recusa liminar.

Subentende-se que o Padre Gonçalo discorda com a introdução da disciplina de educação sexual nos curriculos escolares mas numa sociedade livre plural não chega dizer “Sim porque Sim” ou não “Não, porque quero” para se ter uma opinião. Isso até as criancinhas de 2 anos conseguem fazer.

2. Não obstante a sintonia dos textos com a doutrina da Igreja, os mesmos mais não são do que um exercício de liberdade e de cidadania do seu autor que é, portanto, o seu único e exclusivo responsável. Não obstante o meu celibato, não quero que esta culpa morra solteira.

Em que é que o texto sobre a educação sexual tem alguma coisa que possa estar em sintonia ou não com a doutrina da Igreja? Mas falar das façanhas do nosso primeiro rei ou das dificuldades reprodutivas do Lince Ibérico, não são assuntos que o magistério da Igreja se pronuncie.

3. Constato, com alguma consternação, que a opção por um estilo bem-humorado provocou alguma incompreensão, que roça o escândalo farisaico quando se interpretam literalmente alegorias que, como é óbvio, não admitem uma tão fundamentalista leitura. Que os tristes do costume me desculpem a boa disposição.

Deveremos também levar o assunto a que se refere com boa disposição e deixar que os outros decidam por nós? Devemos ignorar o que escreve e pensar que tudo não passa de um devaneio mal conseguido? Ou por outro lado deveríamos encarar este assunto com boa disposição mas com a seriedade que lhe é devida? É que eu gostaria muito de ter pessoas a pressionarem os diversos sectores da socieadade para termos um programa da disciplina de educação sexual representativo da morel cristã em que está assente a cultura nacional. Mas com textos como o que escreveu não sei se chegamos lá.

4. Considero que a expressão “educação sexual” é contraditória, na medida em que o que é instintivo não carece de aprendizagem, a não ser que, como muitos temem, a dita “educação” mais não seja do que um instrumento ideológico para impor, sob aparência científica, princípios e práticas contrárias à liberdade e à dignidade humana. Com efeito, o Guia de Educação Sexual da ONU, elaborado pela UNESCO com a colaboração da OMS e dado a conhecer no passado dia 27, recomenda às crianças a partir dos cinco anos a prática do onanismo e a apologia da homossexualidade (UNESCO, International Guidelineson Sexuality Education: An evidence informed approach to effective sex, relationships and HIV/STI education; UN News, 27/08/09; Family Edge, 31/08/09).

O Padre Gonçalo insiste num erro que no parágrafo seguinte tenta dar a volta. Antes demais como sabe de certeza, até os institos se educam, senão o senhor nunca poderia ser celibatário. A sexualidade, o comer,  o dormir, até a própria violência são tudo coisas que ensinamos, aprendemos que no fundo educamos. A diferença entre o homem e o animal é que o homem aprende a educar e a domar os seus instintos. A Igreja educou, à sua maneira, a sexualidade dos seus fieis. Por isso não só é um absurdo dizer que o instintivo não carece de aprendizagem. O que pode estar sujeito a críticas é a forma como querem educar esse instinto, mas o Padre Gonçalo nunca faz referência.

Por fim gostava de esclarecer que nunca a UNESCO recomenda emlado algo a masturbação nem a homosexualidade. O Padre Gonçalo que leia melhor o texto mas reconhecer como algo natural não é o mesmo que recomendar. A UNESCO para além disso reconhece as diferenças culturais e regionais e admite que o que é bom para uns pode não ser bom para outros simplesmente por uma questão moral.

A masturbação pode ser pecado na Igreja Católica ou noutros credos mas existem centenas de milhar de pessoas que não sendo crentes devem ser informadas que a masturbação não acarreta nenhum mal físico ou psicológico. O mesmo se aplica a homosexualidade desde que vivida com responsabilidade, respeitosamente e num contexto não baseado exclusivamente no sexo.

5. Embora entenda que a educação para um saudável e ético exercício da sexualidade é competência prioritária da família, admito que essa formação possa ser ministrada subsidiariamente em instituições educativas, desde que garantida a sua competência pedagógica, a idoneidade moral dos formadores, a objectividade ética e científica dos conteúdos, bem como a liberdade dos alunos e dos seus pais. Esta garantia é um direito salvaguardado pelo art. 43.º da Constituição, o que não significa nada porque a mesma lei fundamental também defende, em teoria, a vida, mas depois permite a impune matança das crianças não nascidas.

E finalmente o Padre Gonçalo dá o dito por não dito. Depois dizer que não há necessidade de educação sexual assume a sua necessidade. E aqui estamos de acordo que é não só é prioritário mas também urgente uma educação para um saudável e ético exercício da sexualidade.

Esta deve ser, também, competência prioritária da família mas a verdade é que vamos precisar de esperar uns tempos visto que em muitíssimas famílias, o sexo é assunto tabu. Ainda bem que admite que essa formação pode ser ministrada subsidiariamente em instituições educativas desde que garantida a sua competência pedagógica senão teríamos que esperar ainda mais tempo.

Por fim e sobre o ponto da idoneidade moral dos formadores, da objectividade ética e científica dos conteúdos, bem como da liberdade dos alunos e dos seus pais, este é o ponto que tem que haver um debate profundo e bem fundamentado. Muito provavelmente não será o seu ponto de vista que ganhará em toda a linha mas se participar no debate de forma respeitosa e bem fundamentada, com certeza que as chances de ter uma educação sexual mais próxima do ideal cristão serão muito maiores.

Agora se insistir em utilizar um deshumor feito de chavões e dogmas, garanto-lhe que os Gatos Fedorento terão mais influência no concepção dos conteúdos da disciplina do que o senhor.

terça-feira, setembro 22, 2009

Descubra as diferenças

Texto 1

“Numa das vezes que fui à Expo, em Lisboa, descobri, estranhamente, uma pequena sala completamente despojada, apenas com meia dúzia de bancos corridos. Nada mais tinha. Não existia ali qualquer sinal religioso e por essa razão pensei que aquele espaço se tratava de um templo grandioso.

Quase como um espanto, senti uma sensação que nunca sentira antes e, de repente, uma vontade de rezar não sei a quem ou a quê. Sentei-me num daqueles bancos, fechei os olhos, apertei as mãos, entrelacei os dedos e comecei a sentir uma emoção rara, um silêncio absoluto. Tudo o que pensava só poderia ser trazido por um Deus que ali deveria viver e que me envolvia no meu corpo amolecido. O meu pensamento aquietou-se naquele pasmo deslumbrante, naquela serenidade, naquela paz.

Quando os meus olhos se abriram, aquele Deus tinha desaparecido em qualquer canto que só Ele conhece, um canto que nunca ninguém conheceu e quando saí daquela porta, corri para a beira do rio para dar um grito de gratidão à minha alma, e sorri para o Universo.

Aquela vírgula de tempo foi o mais belo minuto de silêncio que iluminou a minha vida e fez com que eu me reencontrasse. Resta-me a esperança de que, num tempo que seja breve, me volte a acontecer. Que esse meu Deus assim queira” (Raul Solnado, Um Vazio no Tempo, 2007).

Texto 2

“Tendo chegado ao Horeb, Elias passou a noite numa caverna, onde lhe foi dirigida a palavra do Senhor: «Que fazes aí, Elias?»
Ele respondeu: «Estou a arder de zelo pelo Senhor, o Deus do universo, porque os filhos de Israel abandonaram a tua aliança, derrubaram os teus altares e assassinaram os teus profetas. Só eu escapei; mas também a mim me querem matar!»

- O Senhor disse-lhe então: «Sai e mantém-te neste monte, na presença do Senhor; eis que o Senhor vai passar.»

Nesse momento, passou diante do SENHOR um vento impetuoso e violento, que fendia as montanhas e quebrava os rochedos diante do Senhor; mas o Senhor não se encontrava no vento. Depois do vento, tremeu a terra. Passou o tremor de terra e ateou-se um fogo; mas nem no fogo se encontrava o Senhor. Depois do fogo, ouviu-se o murmúrio de uma brisa suave. Ao ouvi-lo, Elias cobriu o rosto com um manto, saiu e pôs-se à entrada da caverna.” (1.º Reis 19, 9)

Texto 3

Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e seu irmão João, e levou-os, só a eles, a um alto monte. Transfigurou-se diante deles: o seu rosto resplandeceu como o Sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. Nisto, apareceram Moisés e Elias a conversar com Ele. Tomando a palavra, Pedro disse a Jesus: «Senhor, é bom estarmos aqui; se quiseres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias.» Ainda ele estava a falar, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra, e uma voz dizia da nuvem: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado. Escutai-o.» (Mateus 17)

sexta-feira, setembro 18, 2009

quinta-feira, setembro 17, 2009

Ainda a propósito da educação sexual…

Continuo sem perceber qual é o mal da educação sexual e porquê tem despertado tanto berreiro nos movimentos pró-vida. Será que estão medo com medo de que se fale com clareza sobre questões como homosexualidade, orgasmo, contracepção e tantos temas tratados como tabu dentro da Igreja? Ou será que terão medo que o conhecimento de uma realidade que desconhecem, vá arrastar jovenzinhos imberbes para uma vida desgarrada de fornicação e sodomia?

Honestamente não entendo.

A verdade é que a educação sexual é muito necessária. Não há como negar isto. Digam o que disserem esta nunca existiu.

Podemos argumentar que o ser humano nunca precisou de ser educado para se reproduzir, o que é verdade mas não deixa de ser verdade também que a humanidade desde sempre tem tentado controlar e educar os seus instintos mais básicos, tendo a Igreja Católica um papel central nesta longa caminhada.

Ao nível da educação sexual a Igreja foi pioneira em muitos aspectos, combatendo muitos preconceitos e tradições pagãs que humilhavam sobretudo as mulheres. Utilizando os mecasnismos da época, que em geral aceitamos estarem desactualizados para os dias que correm, a Igreja fez por santificar o sexo. Associar por um lado o sexo como uma expressão de amor e condenando o sexo utilitarista e mecanizado por outro, é de longe um dos maiores legados para o homem civilizado e que tem o cunho de Jesus Cristo e da Sua Igreja. Infelizmente para muitos, alguns levaram longe de mais essa ânsia de elevar o nível espiritual do sexo. De tal forma o fizeram que o tornaram sagrado quase divino ao mesmo tempo que o demonizavam e o tornavam profano e pagão. Sagrado e puro na sua vertente de início da vida e profano e impuro pois as pessoas podiam ter prazer, coisa que para muitos era condenável e má, aos olhos de um deus que sem querem desfiguravam.

Apesar destes precalços, a Igreja cresceu e lutou pela igualdade dentro da diferença entre os dois sexos, lutou contra o aborto como forma de controlo da natalidade, condenou o casamento como contracto de interesses e podiamos continuar a enumerar exemplos. Não esqueço que em várias ocasiões houve excesso de zelo, farisaísmo e literelalismo na forma como se interpretou o evangelho e que sobretudo se deveria e poderia ter feito muito mais.

Ainda mais escandaloso que isso, houve em muitos sítios e ao longo do tempo houve dois pesos e duas medidas, uma para a elite em que o dinheiro, o poder e os jogos de interesse tudo podia comprar, até lugares no céu, e uma outra para os pobres que eram condenados pela a hierarquia e simplesmente lhes restava bater no peito enquanto choravam o arrependimento dos pecadores. Mas contas feitas, o balanço não deixa de ser francamente positivo.

A revolução de costumes do século das Luzes, movida por ânsia desenfreada de libertar os escessos que tinham sido cometidos pela Hierarquia da Igreja levou a sexualidade retroceder por vezes ao nível mais básico e animalesco da coisa. E desde esse tempo que a Igreja tem tentado, sem sucesso diga-se, inverter a situação.

Com a entrada da ciência no jogo da sexualidade, a Igreja tem perdido terreno na abordagem que tem faz da sexualidade. Não que a mensagem esteja errada, mas forma desligada da realidade como a enuncia e um discurso carregado de negativismo e repressão, fá-la ficar cada vez mais a pregar para os peixinhos e para franjas –istas (fascistas e tradicionalistas) mais radicais da sociedade.

Por isso pergunto-me a mim próprio se não será esta a altura, no momento de preparar um modelo de programa para a nova disciplina de Educação Sexual, de a Igreja em Portugal tentar uma nova abordagem sobre esta temática. É que na minha opinião em vez de tentar combater quixoticamente a reconhecida e real necessidade de uma educação sexual obrigatória, deveríamos antes concentrar as nossas forças na elaboração de programas que representem a nossa cultura cristã e que prepare uma sociedade libre e não libertinária.

Na minha adolescência, onde  se calhar a Igreja ainda mantinha um papel mais forte, já se considerava a virgindade e a castidade como valores antiquados e ultrapassados. Por isso como fazer para actualizar a força e a validade destes conceitos tão bonitos senão explicando nas diferentes vertentes da sociedade incluindo na escola?

Se há gente que pensa que não se é má pessoa por não se casar virgem, nós católicos, que também não somos piores ou melhores por pensarmos o contrário, porque não podemos ter o direito de querer ver esta opção de vida nos manuais e nos programas escolares dos nossos filhos? E senão em plano de destaque representando a maioria que ainda somos, tratada com um mínimo de respeito e em pé de igualdade com outros pontos de vista?

São várias as coisas que temos e que gostaríamos de mudar. Hoje quem é virgem é encarado como alguém que tem um problema. Há que mudar o mudar o nosso discurso e utilizar as mesmas armas que os outros para conseguir fazer chegar a nossa mensagem. A sociedade civil portuguesa, muito por culpa de ignorância e desinformação exclui como válida a opção do recurso ao planeamento e contracepção natural. A única forma de valorizarmos a nossa escolha é fundamentá-la e deixar que esta faça parte de um leque de opções sem dogmatismos, sem medos das partes negativas e de apresentar a necessidade empenho e compromisso por parte do casal para levar adiante uma contracepção natural. A verdade libertar-vos-á! Porque não termos nos programas de educação sexual o próprio celibato, totalmente desvalorizado nos dias de hoje. A verdade é que estudos científicos que existe uma percentagem da humanidade asexual ou com uma total ausência vocacional para o matrimónio. O celibato só voltará a ser compreendido e aceite como um opção de vida se for libertado do elitismo embrulhado num papel de embrulho em que impera a cultura dos eleitos, dos divinamente ungidos e dos predistinados a ser santos.

Por isso ser se contra a um programa de educação sexual que não defende, que não explica e não dá como opção o ponto de vista cristão, eu também sou contra. Ser contra a educação sexual porque sim, porque supostamente nunca foi preciso, não é argumento e faz-nos parecer meninos tolos e mimados.

Em comunhão

terça-feira, setembro 15, 2009

Quando a ironia morde o autor

Um dos tópicos mais recentes no Paróquias.org, Falar verdade com sentido de humor, despertou-me alguma atenção. A bem da verdade é preciso assumir que isto de falar a verdade com sentido de humor, é uma arte só ao alcance de alguns predestinados por Deus e não é um talento que se aprenda por dá cá aquela palha. Na minha opinião falar verdade com sentido de humor é um talento inato e a esmagadora de nós, comuns mortais, não consegue sequer dizer a verdade quanto mais ter piada.

Há gente engraçada e outros com muita piada, mas muitíssimas vezes para o ser, o artista necessita de fazer uso de diversos recursos que envolvem entre muitos a mentira e o disfarce não sendo por isso propriamente a verdade que se diz. Depois há ainda o problema de otras vezes se ter um só lado ou uma parte da verdade, mas este é outro assunto.

Surgiu assim a propósito disto um texto que pretendia fazer jus ao título do tópico. Aqui está ele:

A educação sexual e D. Afonso Henriques

A uestão pode parecer peregrina, mas não é. Com efeito, foi precisamente neste ano, em que se festejam os novecentos anos do primeiro rei de Portugal, que se implementou no nosso país a educação sexual obrigatória. Uma tão feliz coincidência não pode ser mero acaso, pelo que parece ser pertinente questionar a relação entre aquela efeméride e esta nova vertente da educação em Portugal.


É certo e sabido que D. Afonso Henriques não teve qualquer tipo de educação sexual, muito embora uma tal carência não tenha significado para o nosso primeiro monarca nenhuma especial inaptidão, pois não só foi pai da nação como, também, de onze filhos! Mais ainda: todos os seus contemporâneos que geraram descendentes, fossem eles nobres, burgueses ou filhos do povo, todos, sem excepção, fizeram-no sem que lhes tivesse sido dada nenhuma educação sexual. É incrível, mas é verdade.


E, não obstante esta ignorância sexual generalizada, o país não se extinguiu! É caso para dizer: milagre! Era de esperar que os portugueses tivessem desaparecido do mapa, por desconhecimento da ciência da reprodução, acintosamente omitida pela Igreja e pelo Estado, nos seus respectivos estabelecimentos de ensino. Mas não! De forma absolutamente prodigiosa, os portugueses, sabe-se lá a que custo, lograram trazer filhos ao mundo! Filhos das trevas e da falta da educação sexual! Filhos da iliteracia sexual que o nosso país sofreu durante oito séculos!


Temo que seja esta a ancestral razão pela qual muito se gaba, e com razão, a proverbial capacidade lusitana de improvisar: não havia aulas, os homens e as mulheres não sabiam educação sexual e, contudo, apareciam filhos, tantos filhos que se espalharam pelas sete partidas do mundo! Se a ignorância sexual foi tão prolífica para Portugal, será que a educação sexual esterilizará o nosso país? Será que o que se pretende, com a nova disciplina curricular, é que os portugueses mirrem e se extingam, em vez de se expandirem e multiplicarem?!


Seja como for, a verdade é que o Governo entendeu por bem pôr termo a esta atávica falta de educação sexual nacional. Mas, se pega a moda do Estado pretender ensinar o que é óbvio e natural, em vez do que é elevado e racional, é de esperar que a reforma educativa não se fique pela sexualidade. Falta, por exemplo, uma disciplina de educação respiratória, porque há quem não saiba inspirar e expirar em condições. O mesmo se diga da educação digestiva e de todas as outras expressões das mais básicas necessidades do nosso organismo. Em suma: a introdução da educação sexual não é uma simples alteração cosmética da política educativa, mas o início de uma nova era, a vanguarda de uma autêntica revolução. Abaixo o Português e a Matemática e viva a Educação Sexual! Abaixo a cultura e viva a educação animal! Abaixo a educação humanista e viva a educação "bestial"!


A propósito, não será por falta de educação sexual que o lince-ibérico está em vias de se extinção?! Se os homens, que em princípio são animais racionais, têm necessidade, no sábio e prudente entendimento dos nossos governantes, de uma aprendizagem que assegure a sua reprodução, com mais razão os animais irracionais precisam de uma formação específica que os ensine a procriar. Crie-se, pois, sem mais demora, a Escola C+S da Malcata e imponha-se aos linces a frequência obrigatória das respectivas aulas de educação sexual: é a única solução capaz de impedir o seu dramático desaparecimento.
Gonçalo Portocarrero de Almada

Este é um dos exemplos mais claros do que estava a dizer, falta humor e falta verdade.

Apesar de tudo, penso que o autor do texto, o padre Gonçalo Portocarrero de Almada até tem alguma piada mas infelizmente o stand up comedy não é para ser feito dos púlpitos. Confesso que sempre gostei de um bom teatro de Revista À Portuguesa mas infelizmente falta ao Padre Gonçalo o talento para poder integrar os quadros dos parodiantes de Lisboa e penso que a Obra não lho permitiria. Afinal os showmen da Canção Nova estão do outro lado da barricada na luta entre conservadores e liberais.

Honestamente este texto revela a confusão que reina na cabecinha de muita gente e, por ser com certeza uma característica típica dos humoristas, uma certa maldade. Para além disso presta um mau serviço no debate sério, mesmo utilizando o humor, sobre uma questão tão importante.

O tom populista do padre Gonçalo Portocarrero está ao nível de um Chavez ou de um Alberto João Jardim, no entanto o registo humorísitco desce o nível para a nossa tão "lusa" brejeirice, nos fazendo-nos recordar os saudosos "Ele e Ela" ou mais recentemente o desbocado Fernando Rocha.

Pessoalmente preferiria um estilo mais Gatos ou um Solnado. Mas evidentemente falta ao Senhor Padre Carrero um olhar critico que consiga elevar o nível da discussão e desviar o olhar do humor óbvio do estilo Bacalhau quer Alho ou do Chupa Teresa.

Assim queira o Senhor Padre Gonçalo compreender que a educação sexual não vai ensinar como fazer bebes, tão pouco a praticar sexo oral ou muito menos técnicas zen como manter a castidade. Tão pouco tem a pretensão de dar um modelo à humanidade, de forma a assegurar a reprodução do gênero humano, pois como admite o nosso o "Diácono" Portocarrero, sexo mecânico é um instinto básico que não necessita ser ensinado a ninguém. Todos concordamos que a genitália é uma coisa tão universal que não tenho dúvidas que até o nosso casto e humorístico Prior Portocarrero entende e se debate por reprimir nas frias noites de inverno.

Caro Padre Gonçalo, olhe que o uso do sílicio e a auto-flagelação como forma de repressão dos impulsos mais básicos que sente o senhor, o lince ibérico e sentua também o nosso D. Afonso Henriques, não conta como educação sexual!

A Educação sexual visa antes demais os valores bastante católicos (universais) que tento explicar e desenvolver.

a) A valorização da sexualidade e afectividade entre as pessoas no desenvolvimento individual, respeitando o pluralismo das concepções existentes na sociedade portuguesa;

Aceitar e respeitar que uma pessoa seja celibatária não corresponde exactamente ao mesmo que querer imitar esse comportamento. O mesmo se aplica às pessoas homosexuais. Valorizar a sexualidade é sobretudo elevar o nível da coisa e aceitar que o sexo, ao contrário do que o nosso desinformado e inexperiente padre Gonçalo imagina, é muito mais que genitália. É aceitar também que a sexualidade se pode viver sabendo esperar pelo momento certo e que sobretudo é um bem que não deve ser nem banalizado e nem desprovido de afectos.


b) O desenvolvimento de competências nos jovens que permitam escolhas informadas e seguras no campo da sexualidade;

Senhor Padre Gonçalo, não basta ser contra o aborto só porque sim ou porque fica bem nas reuniões dos tios e tias de Cascais. Há que educar para que o aborto não seja sequer uma opção. Há que formar para que os nossos jovens saibam dizer não a situações de risco. Também já lá vai o tempo em que se praticava o sexo anal e oral porque se tinha de ir virgem para o casamento. Se queremos valorizar a opção de se ser virgem até ao casamento há que educar que a virgindade é do coração e da alma.

c) A melhoria dos relacionamentos afectivo-sexuais dos jovens;

Hoje em dia muitos jovens confundem afectividade com sexualidade. Amor=Sexo é uma equação que tem que ser desfeita e refeita.

Amor = Respeito+Amizade+Compromisso…


d) A redução de consequências negativas dos comportamentos sexuais de risco, tais como a gravidez não desejada e as infecções sexualmente transmissíveis;

Não é distribuindo preservativos nas cantinas dos liceus ou nas portas das discotecas que se vai combater as DST. Tão pouco será o basvurir de ameaças e promessas de castigo eterno que vai impedir que adolescentes façam aquilo que não deveriam fazer. A única forma eficaz de reduzir a premiscuidade e a irresponsabilidade face a comportamentos de risco é educando. Até o Papa admitiu com todas as palavras que não é o preservativo que vai parar o drama da SIDA na África. Senhor Padre Gonçalo, a educação pela repressão e pelo medo não deu resultados, veja-se por exemplo o número de bastardos que o nosso primeiro rei teve, 4 coisa pouca comparada com outras figuras ilustres reis, principes, bispos e até papas. Faça uma pesquisa rápida pela internet e vai ficar surpreso com a quantidade de mortos por sífilis e outras DST dentro do clero. Se tivessem tido uma educação sexual apropriada…

e) A capacidade de protecção face a todas as formas de exploração e de abuso sexuais;

Bom, não vamos bater no ceguinho e falar dos diversos escândalos de pedofilia dentro da Igreja. Basta dizer que educar e elevar a sexualidade para um nível acima da bestiliedade ou da reprodução para evitar a extinção como o lince ibérico, reduzirá com mais eficácia o número de pessoas a recorrer à prostituição ou casos de incesto e de pedofília repetidos.


f) O respeito pela diferença entre as pessoas e pelas diferentes orientações sexuais;

Compreendo que para o celibatário Padre Gonçalo lhe seja difícil respeitar e aceitar que há pessoas que não tiveram opção de escolher a sua sexualidade como ele escolheu. Nasceram homosexuais e não há volta a dar a isso. O celibato é opcional mas orientação sexual não. Mas acredite estimado Padre Gonçalo, respeitar não significa promover e muito menos concordar.


g) A valorização de uma sexualidade responsável e informada;

Este ponto incomoda o senhor Padre Gonçalo porque afinal o sexo é um bicho papão, uma tentação do demónio para nos enviar para as labaredas eternas… Uma sexualidade informada é compreender por exemplo que as mulheres têm ciclos menstruais que podem contribuir para o casal viver uma sexualidade plena e plazorosa sem recorrer a contraceptivos artificiais. Ter uma sexualidade responsável e informada é a única maneira de reduzir drasticamente o escândalo bárbaro e assassino do aborto. Ter uma sexualidade informada e responsável é retirar o sexo do lugar central que ocupa na nossa sociedade e elevar outros valores mais importantes e sentimentos que estão esquecidos ou remetidos para segundo plano.


h) A promoção da igualdade entre os sexos;

A Igreja pode recusar o acesso ao sacerdócio às mulheres mas ao contrário do que pensava o seu Fundadord, Monsenhor Escrivá, apesar das óbvias diferenças homens e mulheres devem ter igualdade de oportunidades, de direitos e sobretudo de deveres. Por isso um destes dias, tente ajudar as numerárias que lhe limpam o quarto todos os dias e compreenda que em nada o senhor é melhor que elas.


i) O reconhecimento da importância de participação no processo educativo de encarregados de educação, alunos, professores e técnicos de saúde;

Aqui está algo que vai ser difícil de conseguir enquanto tivermos pessoas como o Padre Gonçalo. Com certeza, no seu registo humurístico iria dizer que a educação sexual fique como está, ou seja focada nos genitais, no prazer imediato, na exploração do outro e com o recurso a materiais audiovisuais com bolinha vermelha no canto superior direito.

j) A compreensão científica do funcionamento dos mecanismos biológicos reprodutivos;

Isto já existia nas aulas de biologia há vários anos mas ainda assim continuam a existir pessoas que perguntam se fizerem sexo oral, se vão engravidar… Mas não senhor padre, vamos deixar a educação sexual ser feita nas páginas da revista Maria ou da Mulher Moderna.


l) A eliminação de comportamentos baseados na discriminação sexual ou na violência em função do sexo ou orientação sexual.

O senhor padre Gonçalo é que tem razão de ser irónico e tentar ser humorístico com este assunto e continuar a igonarar a realidade. Vamos lá continuar neste país de brandos costumes a deixar que crianças espanquem até à morte travestis e prostitutos baseados nos preconceitos sociais esquecendo a mais elementar caridade cristã.

Por isto tudo caríssimo Padre Gonçalo, concerteza sem ambições a ser um Ricardo Araújo dos padres portuguesas, a ironia e o humor deve ser utilizado por quem sabe…

Em comunhão

sexta-feira, julho 24, 2009

Igreja em “Movimentos”

Não conhecia o blog do sobrinho e creio ser a primeira vez estar a ler um post da sua autoria. No entanto a temática abordada é muito importante até porque é uma situação que é generalizada. Assim aproveito para postar o comentário que fiz sobre este post.

Antes de abordar a questão que mais me atraiu, a questão dos movimentos, gostava de comentar a questão das comunidades móveis ou flutuantes.

O conceito de paróquia como comunidade territorial deixou de fazer sentido a partir do momento em que viajar 10, 20 ou 30 kilometros se faz no mesmo espaço de tempo que há um século atrás se faziam 3 ou 4 quilometros. Toda esta questão da pastoral paroquial deveria ser revista e ser posta na ordem do dia para ser discutida com uma certa urgência pois existem casos de paróquias abandonadas em deterimento de outras simplesmente porque uma tem um coro mais a gosto ou a outra "um padre que faz umas homilias tão bonitas".

Há também que rever a questão da pastoral dos jovens, das famílias e dos profissionais visto que cada vez mais os grupos sociais são um factor de congregação. Que propostas concretas existem para famílias jovens ao nível das paróquias?
Que formação existe nas paróquias para jovens que queiram continuar algo para lá dos típicos 10 anos de catequese?
Quem se ocupa da moral e da ética de cada grupo profissional senão os movimentos?

Tudo isto são questões muito importantes que deveriam ser estudadas com bastante atenção pois são estes factores que podem criar soluções para a aparente crise da Igreja.

Mas voltando à questão das paróquias estarem a ser entregues a congregações e a movimentos. Apesar de concordar que é uma situação normal que as ordens e as congregações tomem conta de paróquias em especial num contexto de falta de párocos, não partilho dos seus receios quanto aos movimentos.

Esta situação pode ser nova porque a realidade dos movimentos surgiu sobretudo após o Concílio Vaticano II mas posso lhe garantir que é uma experiência muito bem sucedida onde esta realidade já está bem difundida, nomeadamente em Itália, França e no Brasil.

A partir deste momento e para ser mais fácil passo a citar um parágrafo e a fazer o comentário por baixo.

"No caso das Congregações, julgo que surge de forma muito natural. Muitas das vezes tem a ver fundamentalmente com a proximidade de Seminários e tornasse uma solução pastoral lógica. Já em relação a Movimentos, sendo na maior parte deles formados maioritariamente por leigos, julgo ser mais questionável."

Penso que ainda não teve acesso a toda a informação em relação aos movimentos. Muitos dos movimentos como os Focolares, o Caminho Neocatecumenal, a Comunidade Emanuel e muitos outros, possuem ou seminários próprios, ou enviam os padres dos seus institutos religiosos ou fraternidades sacerdotais para terem formação pastoral, filosófica e teológica em seminários diocesanos ou de ordens. É o carisma de cada movimento, tal como acontece nas ordens e congregações, que marca a espiritualidade da vida paroquial e que dinamiza a sua acção.

Quando uma paróquia é entregue a algum movimento esta não fica entregue a um grupo de fieís. Isto, das paróquias serem entregues a fieís, ocorre normalmente num contexto de extra-movimentos promovendo a inter-relação dos vários grupos e movimentos já existentes na paróquia.

"Ou o Movimento já se encontra enraizado na Paróquia e de forma natural surge como principal dinâmica pastoral, ou se são efeitos de conveniências exteriores ao seio da comunidade, ainda que implementado esse projecto consolidadamente, pode ser fracturante e mesmo dispersante."

Alguns Grupos, apesar de quase independentes, já caíram na banalidade das nossas Paróquias. Grupos como a Legião de Maria, as Equipas de Nossa Senhora ou, um exemplo mais frequente, o Corpo Nacional de Escutas. Mesmo sendo Grupos com directerizes muito próprias, as Paróquias já estão habituadas a esses Grupos. Muitos deles até assumem um forte papel pedagógico, ficando quase ao nível da Catequese."
Acho que há aqui alguma confusão.

Não se pode e nem ninguém iria entregar uma paróquia ao Corpo Nacional de Escutas nem tão pouco as Equipas de Nossa Senhora por diversas razões. Primeiro porque estes movimentos são movimentos sem ramos ou institutos sacerdotais. Este factor constitui por si só um factor de exclusão num processo de selecção de possíveis movimentos para tomarem conta de uma paróquia.

Segundo porque estes movimentos tem uma funcionalidade muito específica que não conseguem abranger toda a dimensão comunitária de uma paróquia. O CNE é um movimento de formação integral de jovens, as ENS visam o acompanhamento de casais católicos e por aí adiante. Por fim é importante lembrar que alguns movimentos presentes nas paróquias são "filhos" de alguma ordem como por exemplo os Jovens Sem Fronteiras ou a Juventude Vicentina ou são "apenas" uma face da vida de um movimento/comunidade como é o caso das comunidades do Caminho NeoCatecumenal ou o Movimento Juvenil pela Unidade dos Focolares.

Quanto à questão dos movimentos poderem ser fracturantes ou motivo de dispersão, isto já aconteceria mesmo com iniciativas individualizadas do prior da paróquia. Com certeza que nem todos querem ser acólitos ou cantar no coro, ou serem leitores ou ministros da comunhão. Uns provavelmente gostariam mais de contribuir para a preparação da catequese enquanto outros valorizam mais as acções de rua. O importante é pôr o movimento ou o que seja ao serviço do outro e com isso tentar levar Jesus mais perto das pessoas através de coisas que as pessoas se sentem mais inclinadas.

"Outra coisa são os Movimentos que assumem ainda hoje, muitas vezes, o título de «seitas» entre os crentes."
A culpa desta demonização dos movimentos é repartida entre os padres diocesanos, os próprios movimentos e os outros.

Por um lado temos os párocos que têm um pouco medo de perder "clientela" e poder de decisão dentro da sua paróquia. São vários os casos de chefes de agrupamentos em diferendos abertos com os assistentes, grupos de jovens que "roubam" estes durante os momentos comunitários por excelência como a Páscoa ou o Natal ou outros movimentos que pura e simplesmente excluem os assistentes religiosos das suas actividades regulares. Se alguns padres aceitam isto, outros não só condenam como também demonificam e apelidam de seitas.

Por outro lado, os movimentos encerram-se muitas vezes dentro de si mesmo dando uma ideia de secretismo, utilizando muitas vezes uma linguagem que podemos dizer de código ("Boa caça!") que facilmente exclui os outros. Ou seja, como as seitas! Os movimentos criam também mutas vezes círculos muito unidos em pouco ou nada permitindo a entrada de novos elementos.

Lembro-me dos meus tempos de adolescência ter amigos dos escuteiros, amigos das equipas e amigos de Taizé. Por vezes, muito raramente as mesmas pessoas coincidiam mas muitas outras vezes arrisco a dizer a maioria dos casos, não só se excluiam como competiam entre si.

Por fim temos os outros, aqueles que não fazem parte de nenhum movimento. Estes sentem-se excluídos e por isso tentam desvalorizar os movimentos criticando e extrapolando o já mencionado isolamento auto imposto pelos movimentos.

"Se trazem "revitalização", a verdade é que também fermentam as comunidades "móveis". A falta de identificação surge no topo dos motivos. Depois vêm os que não estão "formatados" com aquela espiritualidade e por fim aqueles "cépticos" que julgam estar perante «seitas» que praticam desvios espirituais e assumem rituais muito próprios mas que estão longe do canonicamente instituído."

Eu aqui confesso que fico um pouco preocupado que alguém se preocupe com estes ditos desvios espirituais ou litúrgicos que alguns movimentos possam trazer. Não é reconhecido por quase todos que neste momento os grandes promotores do renovamento espiritual e litúrgico são precisamente destes novos movimentos/comunidades (Focolares, Caminho Neocatecumenal, Comunhão e Libertação, Comunidade de Emmanuel, Regnum Christi, Comunidade de Santo Egídio, Renovamento Carismático, Movimento de Vida Cristã, entre outros)?

Na realidade portuguesa a vida espiritual ao nível paroquial está na grande maioria dos casos resumida ao pacote sacramental (Batismos, Casamentos e Funerais) e para os mais empenhados o adiconal pacote dominical (Domingo e dias de festas). Não podemos dizer que a direcção espiritual seja o grande forte das nossas paróquias. Não me lembro de nenhuma paróquia seja conhecida pela sua actividade espiritual junto dos fieis. Há algum padre diocesano que ultimamente tenha escrito alguma coisa sobre espiritualidade?

Em relação à liturgia, são nas paróquias que acontecem os maiores abusos não só por falta preparação e de acompanhamento mas sobretudo por falta de tempo. Há domingos em que os padres celebram 4 ou mais vezes. Se na primeira missa a Homilia ainda sai com alguma convicção, na segunda já flha entusiasmo e nem se fala quando se chega à última. Para não falarmos da pouca preparação dos coros (quando os há) cantando músicas muito pouco litúrgicas ou músicas do tempo da outra senhora que só as velhotas ainda conhecem.

Porque acha o Sobrinho que há tantos jovens portugueses a procurar Taizé? Renovação Liúrgica e espiritual.


"Pessoalmente, julgo que soluções pastorais de entregar o comando das Paróquias a Congregações, muitas vezes até face à "falta" de vocações, são aceitáveis. Mas entregar e conduzir comunidades Paroquiais Diocesanas pelo mesmo caminho de grupos mais restritos e com um carisma próprio pode torna-se muito perigoso e devastador para a identidade da comunidade."

Infelizmente estou em desacordo. Concordo que as congregações são uma solução mas a meu ver devem ser sempre uma solução temporária ou com um objectivo específico como as missões juntos de uma comunidade emigrantes, ou numa paróquia num bairro social ou pura e simplesmente numa situação de ausência de padres. Estou em crer que o futuro não passará pelos seminários diocesanos onde ainda se cultiva e incentiva uma cultura de classes, dos eleitos, do nós (padres) e do eles (leigos).

Para além disto a ausência de comunidades que suportam os padres (ser celibitário não é fácil e não ter uma comunidade com quem compartir as dificuldades do dia-a-dia ainda torna a tarefa mais difícil) e de uma espiritualidade organizada faz com que as vocações procuram sítios mais "abrigados". Um padre de uma congregação ou de uma ordem não vai ficar uma vida inteira a trabalhar numa paróquia. Em muitos destes novos movimentos as responsabilidades de dirigir, programar e dinamizar a paróquia é não só compartida com outros padres mas sobretudo com leigos empenhados.


"Assim sendo, aquilo que vos peço é que rezem pelas Vocações aos nossos Seminários Diocesanos. Para que Deus acolha aqueles que O procuram de coração aberto ao próximo e ao serviço da Sua Igreja. Cabe-nos a todos nós, com a nossa acção e oração, "revitalizar" as nossas Paróquias. Não nos centremos tanto na solução de problemas mas acima de tudo de como evitar esses mesmos problemas de futuro, não ficando apenas e só pelo imediato."


Pode contar que vou rezar pelas vocações mas não vejo necessidade de rezar por vocações para os seminários diocesanos. Nós leigos precisamos de padres, sejam eles diocesanos, de ordens ou de movimentos e que sobretudo sejam humanos e não máquinas ao serviço da maquinaria burocrática paroquial.

Em comunhão

domingo, maio 03, 2009

Continua a ser verdade

Imaginai o mundo como uma circunferência em cujo centro está Deus, e cujos os raios são as diferentes experiências de vida dos homens. Se todos aqueles que se querem aproximar de Deus, se dirigirem para o centro, ao mesmo que se estão a aproximar de Deus estão a aproximar-se dos outros. Quanto mais se aproximarem de Deus, mais se aproximam dos outros. E quanto mais se aproximarem dos outros, mais se aproximam de Deus.

Doroteu de Gaza, século VI

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Chamar-me-ei João Paulo

"Ontem de manhã fui para a Sistina votar tranquilamente. Nunca poderia imaginar o que estava para acontecer. Apenas começou o perigo para mim, os dois Colegas que estavam ao meu lado sussurraram-me palavras de coragem. Um disse: "Coragem! Se o Senhor dá um peso, concede também a ajuda para levá-lo". E o outro Colega: "Não tenha receio, em todo o mundo há tanta gente que ora pelo Papa novo". Chegado o momento, aceitei. Depois tratou-se do nome, porque é perguntado também que nome se quer tomar, e eu pouco tinha pensado.

Fiz então este raciocínio: o Papa João quis consagrar-me com as suas mãos, aqui na Basílica de São Pedro; depois, se bem que indignamente, em Veneza, sucedi-lhe na Cátedra de São Marcos, naquela Veneza que ainda está inteiramente cheia do Papa João. Recordam-no os gondoleiros, as Irmãs, todos. Depois o Papa Paulo não só me fez Cardeal, mas alguns meses antes, numa das pontes então colocadas na Praça de São Marcos, fez que me pusesse todo vermelho diante de 20.000 pessoas, porque levantou a estola e ma lançou sobre os ombros! Nunca me tinha posto tão vermelho! Por outro lado, em 15 anos de pontificado, este Papa mostrou, não só a mim, mas a todo o mundo, como se ama, como se serve, como se trabalha e como se sofre pela Igreja de Cristo.

Por isso, disse: "Chamar-me-ei João Paulo". Eu não tenho nem "a sabedoria de coração" do Papa João, nem a preparação e a cultura do Papa Paulo. Estou, porém, no lugar deles e devo procurar servir a Igreja. Espero que me ajudeis com as vossas orações."


JOÃO PAULO I
ANGELUS DOMINI
Domingo, 27 de Agosto de 1978

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Obrigado filha...

"Antes de ser Mãe eu fazia e comia os alimentos ainda quentes... Eu tinha calmas conversas ao telefone.

Antes de ser Mãe eu dormia o quanto queria e nunca me preocupava com a hora de ir para a cama.Eu não me esquecia de escovar os cabelos e de lavar os dentes.

Antes de ser Mãe, eu limpava minha casa todos os dias. Eu não tropeçava em brinquedos nem pensava em canções de embalar.

Antes de ser Mãe eu não me preocupava se minhas plantas eram venenosas ou não.Imunizações e vacinas eram coisas em que eu não pensava.

Antes de ser Mãe, ninguém vomitou nem fez xixi em cima de mim nem me beliscou sem nenhum cuidado, com dedinhos de unhas finas.

Antes de ser Mãe eu tinha controle sobre a minha mente, meus ensinamentos, meu corpo e meus sentimentos.Eu dormia a noite toda!

Antes de ser Mãe eu nunca tive que segurar uma criança a chorar para que os médicos pudessem fazer testes ou aplicar injecções. Eu nunca chorei ao olhar pequeninos olhos que choravam. Eu nunca fiquei gloriosamente feliz com um simples sorrisinho. Eu nunca fiquei sentada horas e horas a observar um bebé a dormir.

Antes de ser Mãe eu nunca segurei uma criança só por não querer afastar meu corpo do dela... Eu nunca senti meu coração despedaçar-se quando não pude estancar uma dor. Eu nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina pudesse mudar tanto a minha vida. Eu nunca imaginei que pudesse amar alguém tanto assim. Eu não sabia que eu adoraria ser Mãe.

Antes de ser Mãe eu não conhecia a sensação de ter o meu coração fora do meu próprio corpo.Eu não conhecia a felicidade de alimentar um bebé faminto. Eu não conhecia este laço que existe entre a Mãe e a sua criança. Eu não imaginava que algo tão pequenino pudesse fazer-me sentir tão importante.

Antes de ser Mãe eu nunca me levantei à noite a cada 10 minutos para me certificar de que tudo estava bem. Nunca pude imaginar o calor, a alegria, o amor, a dor e a satisfação de ser uma Mãe. Eu não sabia que era capaz de ter sentimentos tão fortes.
Por tudo e, apesar de tudo, obrigada, meu Deus, por eu ser agora alguém tão frágil e tão forte ao mesmo tempo."
Recebida hoje por email num desses chain mails.

P.S. - Claro que isto funciona para os pais também.