quarta-feira, setembro 30, 2009

O “apartidarismo” Cristão

Desde que descobri o Windows Live Writer, que comecei a escrever vários posts que não chego a terminar por variadíssimas razões. Isto permite-me voltar a algum que me falhou a inspiração ou tempo mas também me permite rever e corrigir algumas coisas.

Assim comecei a escrever este texto antes das eleições e pensei arquivá-lo mas a verdade é que entendo que mais que nunca, há uma necessidade real de compreender o que é o apartidarismo cristão.

Muitas vezes ouvimos slogans que afirmam que um cristão não pode ser deste ou daquele partido político ou que pura e simplesmente um cristão empenhado na vida da Igreja não se deveria envolver nestas coisas política.

Qualquer destas coisas tem o seu lado de verdade e o seu lado de mentira.

Sim há partidos que vão contra a moral cristã, não por serem de esquerda ou por serem de direita mas simplesmente porque a sua forma de acção e a sua carta princípios são antagónicos à essência mais essencial de ser cristão. Assim, não há forma de conciliar um comunismo revolucionário com a filosofia cristã. Tão pouco é coerente ser-se católico e defender um partido nacionalista ou fascista.

Resumindo todo e qualquer regime autoritário e que esteja nas antípodas da democracia é contrário ao ser-se cristão. Ainda que restringindo as opções políticas dos cristãos é não só moralmente bom mas como também deveria ser recomendável que os cristãos em geral, e os católicos em particular, participem e sejam parte activa das restantes forças políticas à direita e à esquerda.

Por outro lado, um cristão empenhado na vida Igreja deve participar como se viu no parágrafo anterior, desde que não acumule cargos de relevo e responsabilidade dentro da estrutura da Igreja. Um diácono vereador de câmara ou um bispo presidente da república é, no meu entender, moralmente reprensível e não deveria nunca ser aceite quer pelas autoridades civis quer pelas eclesiásticas.

A razão pode ser encontrada nas duas faces de uma só realidade, interesses civis na Igreja e interesses eclesiásticos na sociedade civil.

A Igreja, enquanto comunidade universal, tem e deve ser independente do poder temporal. A hierarquia da Igreja tem sempre que estar na oposição independentemente de quem está ou de como se governa. Não numa oposição que critica visando defender agendas e interesses pessoais, mas tendo em vista uma melhoria da sociedade colaborando e participando no plano divino para construir um mundo melhor.

Obviamente que que esta opisição deve ser feita num contexto dialogante, onde a Igreja terá que obrigatóriamente respeitar a voz da maioria e também aceitar um papel de co-educador social.

Por outro lado, e como é óbvio a sociedade civil vai sempre ter crentes nas posições de mais responsabilidade e relevo governativas, subsídios de estado para as diversas religiões bem como ver os seus mais altos representantes participarem enquanto pessoas individuais e também enquato estaditas, em actividades e manifestações religiosas. No entanto estas pessoas nunca devem representar, previligiar ou defender os interesses desta ou daquela religião em detrimento de outras, mesmo que essas sejam minoritárias.

Pelo que foi dito se pode compreender que a Igreja, na sua hierarquia, tem que ser apartidária. A Igreja deve não só permitir mas até recomendar e exortar os seus fiéis a fazerem parate dos vários quadrantes políticos. A Igreja deve se abster de previligiar ou promover qualquer partido político. A Igreja deve denunciar e condenar moralmente todo o qualquer partido político

Assim enquanto comunidade, os católicos são apartidários e aclubisticos mas enquanto pessoa individual que é católica faz sentido ser-se democrático e participar activamente na democracia.

Em comunhão

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